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    A mentira do hedonismo - E. Lutzer



    O que motivou Eva a desobedecer a Deus? É verdade que ela foi enganada, quando pensou que a serpente esclarecia as instruções de Deus; contudo, ela também se desviou devido a sua fascinação pelo fruto proibido:

    "Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu, e deu também ao seu marido, e ele comeu" (Gn 3.6).

    A intuição de Eva lhe disse: "Não pense, apenas sinta!" A verdade objetiva é fria e severa demais; as palavras de Deus não são tão importantes quanto a sensação certa. Desde que o mundo não pode ser compreendido racionalmente e o conhecimento que você tem não pode satisfazer inteiramente, siga seus sentimentos.

    E assim nosso mundo aceita a filosofia de Woody Allen: "O coração quer o que deseja!" O que você crê não é importante; você deve simplesmente seguir o coração. Assim, os homens abandonam suas esposas para encontrar felicidade com outras mulheres e senhoras deixam os maridos para realizar seus sonhos. Já que você só vive uma vez, tem de "aproveitar", como as propagandas normalmente sugerem. Não é de se estranhar que cada um faz "o que é certo aos seus próprios olhos".

    Embora a palavra hedonismo seja freqüentemente associada com o compromisso de alcançar o prazer sexual a qualquer custo, ela tem uma aplicação mais ampla em nossa sociedade. A doutrina de que o prazer ou a felicidade de alguém é seu bem mais elevado tem sido a faísca que tem acendido muitas labaredas de atitudes erradas.

    Os filósofos têm tentado refrear o hedonismo quando dizem que devemos agir de maneira que maximizemos não só a nossa própria felicidade, mas também a da maioria. Essa racionalização tem somente justificado os erros mais inaceitáveis. Se Hitler acreditava que seis milhões de judeus atrapalhavam a felicidade de noventa milhões de alemães, tinha uma obrigação de garantir a felicidade da maioria. Que mentira!

    DEUS, A SERPENTE E VOCÊ

    Quando Satanás viu Eva comer o fruto e depois dar a seu marido, que estava a seu lado, ficou exultante. Qualquer dúvida que tivesse sobre sua decisão de se rebelar contra Deus por um momento foi esquecida. Ele conseguiu separar o homem do Criador; então parecia que Adão se uniria a Satanás. Tanto quanto ele sabia, toda a humanidade ficaria ao seu lado, na rebelião contra Deus. Se não podia ter todos os anjos, pelo menos teria todas as criaturas desse novo tipo, chamado ser humano. Ele estava totalmente seguro — e tinha razão — de que o pecado de Adão e Eva contaminaria seus descendentes.

    Quando Deus chegou, na viração do dia, Adão e Eva não correram ao seu encontro; esconderam-se entre as árvores, cobertos com folhas de figueira. O interruptor havia sido desligado. Trevas envolveram suas consciên¬cias e eles eram incapazes de consertar isso.

    Alguém me contou uma vez sobre uma mensagem pichada em um muro, que dizia: "Humpty Dumpty foi empurrado!!"

    (Humpty Dumpty é o personagem de uma história infantil em forma de verso. De acordo com a história, o personagem tem a forma de um ovo e vive em um país distante, onde todos são muito felizes. O país é cercado por uma grande muralha. Envolvido pelos conselhos de um dragão perverso, que vive fora das muralhas, Humpty Dumpty resolve contrariar as leis do seu país. No final, ele sobe em cima da muralha e acaba caindo lá de cima).


    Um lembrete de que as confusões que fazemos sempre são por culpa de outra pessoa! Quando Deus perguntou a Adão se tinha comido o fruto, ele se recusou a responder e lançou a culpa sobre a esposa: "A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi" (Gn 3.12). O erro, de acordo com Adão, está na mulher sem força de vontade que Deus criou para ele. Por favor, note que ele transferiu a culpa para ela, embora não houvesse a menor chance dele ter-se casa¬do com a mulher errada!

    Adão e Eva, como aconteceu com Lúcifer antes deles, aprenderam que podemos ser capazes de empurrar Humpty Dumpty de cima do muro, mas não podemos colocá-lo de volta. Somente Deus pode restaurar a beleza de uma criatura danificada. Ou, colocando isso na linguagem de Humpty Dumpty, embora um homem possa escolher quebrar um ovo, nenhuma série de escolhas posteriores irá restaurar a casca quebrada!

    Com relação a Deus, Ele não seria escarnecido. Ele tinha algumas palavras para a serpente: "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn 3.15).

    Aqui temos a primeira menção do Evangelho no Antigo Testamento. Deus estaria envolvido no conflito. Independentemente de quão robusta a árvore das falsas religiões se tornaria, ela finalmente seria derrubada. O conflito seria intenso, mas, no final, Deus venceria. Ele faria o que Adão e Eva não podiam. Vários outros pontos precisam ser estabelecidos sobre a resposta do Todo-Poderoso diante da situação que se apresentou no Jardim do Éden.

    1.      Deus torna a iniciativa na batalha. Ele diz: "Eu farei". Lúcifer havia dito "Eu farei", mas Deus também declara: "Eu farei". Duas vontades entrariam em conflito, numa tentativa de governar o mundo. Antes mesmo que o homem olhasse para Deus e buscasse ajuda, o Criador já prometeu ajudá-lo. Se havia uma confusão para ser arrumada, Deus faria isso. Ele iria restaurar a casca quebrada do ovo.

    2.      A serpente seria esmagada por um mediador. Se a mulher foi enganada pela serpente, seria a semente da mulher que esmagaria a criatura maligna. Ela teria um filho que desferiria o golpe fatal. Sobre sua semente, Deus disse: "Ele lhe ferirá a cabeça" (v. 15).

    3.      Essa vitória seria consumada por meio do sofrimento. Haveria libertação para a humanidade, mas não seria uma libertação fácil. Essa "inimizade" resultaria em um contraste de feridas. A semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente; por sua vez, a serpente seria capaz apenas de ferir o calcanhar do Redentor (v. 15). A diferença seria como aquela entre um soco no queixo e um tapinha nas costas.

    Satanás não tinha como prever essa intervenção divina. Ele não sabia que Deus tomaria a iniciativa e reconciliaria a humanidade. Ele não sabia que essa seria sua própria condenação e queda. O conflito, que ele achava estar sob controle, foi tomado de suas mãos. A batalha não seria mais entre a serpente e o homem, mas muito mais feroz: entre Deus e a serpente.

    Quanto maiores as mentiras, maior a punição. A serpente será punida não só por seu ato inicial de rebelião, mas por toda a desobediência subseqüente, que emanou dali. Ela perde cada vez que ganha. Não importa quanta confusão ela crie, pois Deus tem toda a eternidade para endireitar as coisas erradas. E Ele fará isso.

    Os vidros estavam tombados e as tintas escorriam sobre a tela, mas Deus estava pronto a usar toda aquela confusão para pintar seu próprio quadro. A serpente via apenas o presente; o amanhã estava fora do alcance de sua visão. Deus via o quadro de forma totalmente diferente: era apenas o cumprimento da promessa de vida eterna, feita na eternidade.

    A serpente não sabia que algum dia haveria um homem chamado John Newton, que seria tão vil, a ponto de desafiar os amigos a pensarem sobre algum pecado que ele ainda não tivesse cometido. Mesmo assim, ele foi redimido por Deus e escreveu:

    Maravilhosa graça! Que doce som,
    Que salvou um miserável como eu!
    Eu uma vez estava perdido,
    mas agora fui encontrado;
    Estava cego, mas agora posso ver.
     
    Quando estivermos lá por dez mil anos,
    Luzes brilhantes como o sol,
    Não teremos menos dias para cantar louvores a Deus
    Do que quando primeiro começamos.