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    Já não sou eu mais quem peca - John MacArthur



    Um comentário de Paulo é freqüentemente mal interpretado. Em Romanos 7 ele escreve:

    Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim" (15-20 - ênfase acrescentada).

    É importante entender que Paulo não estava negando a responsabilidade pelo seu pecado. Não estava usando um argumento dualista - imputando todo o seu pecado a uma "velha natureza" ou a um perverso segundo eu. Acima de tudo, ele não estava tentando livrar-se da culpa dos seus pecados.

    Ele estava simplesmente dizendo que pecado é contrário aos impulsos de sua nova disposição como crente. Antes da salvação, todos nós éramos definidos pela nossa pecaminosidade. Éramos inimigos de Deus, sob a servidão do pecado, amantes do pecado, incapazes de fazer qualquer coisa a não ser pecar, corrompidos no âmago do nosso ser. Mas, quando nos torna¬mos crentes, aquele velho homem morre. Nascemos de novo com uma nova natureza que ama a Deus e deseja fazer justiça. "Concordamos com a lei." "O desejo de obedecer está presente" em nós. O pecado não mais define nosso caráter, ele é a coisa que detestamos. O nosso novo "eu" (cf. Gl 2.20) almeja a justiça e odeia o pecado.

    Quando pecamos, portanto, contradizemos tudo o que defendemos como crentes, não é mais o "eu" que peca - no sentido de que pecado não é mais uma expressão do nosso verdadeiro caráter.

    Por que pecamos? Porque o princípio corrupto da carne permanece em nós. E é isso que nos conduz à desobediência. É claro que somos responsáveis pelos nossos pecados. Porém quando pecamos, não é mais por causa do que somos, é por causa das leis carnais inflexíveis que permanecem em nós e exercem uma contínua influência até que sejamos transformados para a glória celestial. Como Paulo diz: "Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim" (Rm 7.21).

    Tanto a Bíblia como a experiência provam que todos os cristãos lutam contra a fraqueza pecaminosa e as tendências carnais ao longo da vida. A tirania absoluta do pecado foi quebrada, fomos libertos de suas garras. Mas ainda sucumbimos às tentações do pecado; carregamos nossa própria carne - o princípio do pecado que permanece em nós ("o corpo desta morte" — Rm 7.24) — como grilhões. Nós somos novas criaturas por inteiro, redimidas e capacitadas pelo Espírito Santo, cheias de toda a plenitude de Deus - mas ainda presas a uma carne pecaminosa. "E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo" (Rm 8.23).

    O pecado no nosso íntimo, embora seja um "inimigo conquistado" ainda deve ser vigorosamente resistido ao longo de nossa vida. Estamos livres do pecado, porém devemos permanecer em guarda. O perfeccionismo, além do mais, somente anula o processo da santificação. Não somos perfeitos. Somos humanos. Ainda gememos.

    Enquanto gememos e esperamos pelo glorioso dia, devemos continuar a travar uma batalha contra o inimigo derrotado dentro de nós. A Bíblia nos dá claras instruções sobre como devemos lutar contra o pecado na carne.