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    Freud: Inimigo, não Amigo.



    Freud abriu oficialmente seu consultório no Domingo da Páscoa. Para uma pessoa para quem toda ação tem significado, por mais oculta ou inconseqüentemente que seja, seguramente esse ato praticado abertamente deve ser visto como simbólico. Que Freud pouco respeitava a religião em geral, e menos ainda o cristianismo em particular, é fato reconhecido historicamente. Ele se dizia "judeu completamente ímpio" e "irremediável pagão".  Quando criança, alguns pseudo-cristãos fizeram cirandar seu pai, e enlamearam sua roupa. O ancião não reagiu. Freud ficou envergonhado, achando que seu pai deveria ter enfrentado os outros. Jurou que algum dia acertaria as contas. Alguns acham que a psicanálise foi a arma que ele usou para isso. Nos seus livros, Moses and Monotheism, The Future of an Illusion e Totem and Taboo (Moisés e o Monoteísmo, O Futuro de uma Ilusão e Totem e Tabu), Freud dedica duro tratamento à religião.

    Para ele, o cristianismo era uma ilusão que deveria ser eliminada. Como todas as demais religiões, era um sinal de neurose. Ele ensinava que a religião nasceu do medo que o homem primitivo sentia do grande universo que o circundava e que ele não podia dominar. De início não havia algo assim como escrúpulos morais. Mas visto que cada um queria seguir seus próprios desejos (instintos), houve luta entre os homens que queriam fazer as mesmas coisas. A bem da sobrevivência, os homens viram que era necessário conviver e cooperar uns com os outros. Deste modo, a moralidade resultou do crescimento da sociedade que só podia subsistir mediante a adoção de códigos de conduta. A consciência (Super-ego) foi construída porque as violações do código eram severamente punidas pelo povo.

    Eventualmente se disse que o código era sancionado por um deus (ou deuses), ganhando assim o código moral maior estatura. A religião pertence à infância da raça. O homem precisa crescer e sair da infância, o que significa deixar a religião. Ele chama as narrativas bíblicas de "contos de fadas". Afirmava que a religião foi inventada para atender às necessidades humanas. Quando uma pessoa cresce, já não precisa mais da religião. Antes de adotar os princípios de Freud, os cristãos devem conhecer estas pressuposições freudianas básicas, subjacentes a tudo quanto ele escreveu.

    Uma possível objeção é que os que se opõem a Freud criaram um novo Judas, a saber, o próprio Freud. Em lugar da sociedade, ou de membros específicos da sociedade, Freud veio a ser o menino mau que leva a surra. Neste caso, o cliente continua podendo transferir de si a sua responsabilidade.

    O ataque feito a Freud pode parecer transformá-lo na causa de todos os males da sociedade moderna. Entretanto,    parece. Ninguém está dizendo que Freud ou suas crenças produziram doença nos pacientes. Tudo que se pode dizer de Freud é que suas idéias encorajaram pessoas irresponsáveis a persistirem em sua irresponsabilidade e a aumentá-la. Ele deu sua aprovação à conduta irresponsável e a fez respeitável. Suas idéias são iatrogênicas (geradoras da necessidade de terapia) somente em que elas podem produzir complicações secundárias. Freud não fez  com que as pessoas se tornassem irresponsáveis; mas forneceu uma fundamentação  racional,   filosófica  e pseudo-científica para as pessoas usarem a fim de justificar-se. Freud é uma causa dos males da sociedade  moderna somente como um fator causante de complicações, não como causa básica daqueles males. A causa última é o pecado.

    Para Onde Isto nos Leva?

    Tudo isso é pertinente aos cristãos. Mowrer pergunta: "Terá a religião evangélica vendido seus direitos de primogenitura por um prato de sopa psicológica? "  A indagação é deveras penetrante. Todo conselheiro conservador deve ver nessa questão levantada por Mowrer um desafio implícito. Quase todos os livros recentemente publicados para ministros, mesmo os de linha conservadora, foram escritos na perspectiva freudiana no sentido de que em grande parte repousam nas pressuposições da_ética freudiana da irresponsabilidade. Onde quer que se sigam essas pressuposições, o emprego que os ministros fazem dos princípios freudianos vêm-se prestando para perpetuar hostilidades e ressentimentos existentes, e tendem a alargar as brechas nas comunicações, uma vez que encorajam os consultantes a lançar a culpa sobre outros.

    J. Adams