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    Que Felicidade tinha os Anjos Apóstatas? - Agostinho (354 - 430)



    Gozaram os anjos apóstatas da felicidade de que sempre gozaram os anjos bons?
    Assim, pois, de maneira alguma e em tempo algum, os espíritos que chamamos anjos começaram por ser trevas. No mesmo instante em que Deus os criou foram luz; criados, não para serem ou viverem simplesmente, mas ainda iluminados para viverem vida feliz e sábia. Alguns anjos, afastados da luz, não lograram a perfeição da vida sábia e feliz, que não é tal se não eterna, certa e segura da própria eternidade. Possuem, todavia, vida racional, embora desprovida da sabedoria, e não podem perdê-la, embora queiram. Quem poderá determinar quanto tempo antes de pecar foram partícipes da sabedoria? Como havemos de dizer, portanto, que na participação estes foram iguais àqueles, verdadeira e plenamente felizes, por estarem certos da eternidade de sua bem-aventurança? Se nela houvessem sido iguais, teriam permanecido igualmente felizes em sua eternidade, por estarem igualmente cer­tos dela.

    Com efeito, seja qual for a duração da vida, não poderá ser chamada eterna, se deve ter fim. Ora, é à vida que não tem, em absoluto, fim que pertence o nome de vida eterna. Assim, embora a felicidade não seja conseqüência necessária da eternidade (não deve ser eterno o fogo vingador?), se a verdadeira e perfeita felicidade necessita de ser eterna, tal não era a felicidade dos anjos decaídos, porque, soubessem-no ou não, não devia ser eterna. O temor, se o soubessem, ou o erro, se o ignorassem, não lhes per­mitiria ser felizes. Se sua ignorância, repartida entre a incerteza e o erro, permanecesse em perfeito equilíbrio de dúvida a respeito da duração eterna ou passageira de sua felicidade, essa própria dúvida seria incompatível com a plena e soberana beatitude que atribuímos aos santos anjos. Não restringimos a vida feliz a signi­ficações tão estreitas, que digamos que somente Deus é feliz. Não. É certo que Ele é verdadeiramente feliz e não pode existir felici­dade maior e mais perfeita. Em comparação com a dele, que ou quanta é a felicidade dos anjos, por maior que seja a que possam gozar?