• Puro conteúdo Reformado!

    ReformedSound

    .

    .

    Por que temos Medo de Julgar? W. Lutzer


    O Futuro é Hoje
    A Igreja deve estar no mundo como um navio no oceano; todavia, quando o oceano inunda o navio, este passa por gran­des dificuldades, tendendo a afundar. Temo que o navio evan­gélico esteja afundando. O mundo está se infiltrando tão rapidamente na Igreja, que ficamos imaginando por quanto tempo a embarcação poderá ficar flutuando. A Igreja, que é chamada para influenciar o mundo, encontra-se influencia­da por ele.
    Se nós, na função de representantes de Cristo, mal nos mantemos flutuando, como esperaremos salvar uma socie­dade que está afundando? Aceitamos os valores do mundo; seu entretenimento, sua moral, suas atitudes. Também aceitamos sua tolerância, sua insistência em nunca desafiarmos as convicções particulares das pessoas, quer dentro quer fora da Igreja. Diante das pressões culturais, ficamos confusos, hesitantes em agir, incapazes de dar um testemunho amoro­so, mas convincente, ao mundo.
    Claro que também há muitos sinais esperançosos em nossa -  (Perdemos a nossa competência de julgar o mundo porque perdemos a competência de nos julgar) cultura Há igrejas e indivíduos que estão causando grande impacto em prol do evangelho, e por isto so­mos gratos. Contudo, em sua mai­oria, como cristãos, nos estabele­cemos num tipo confortável de cristianismo que exige muito pou­co e, por sua vez, faz pouca diferença na cultura mais ampla. Quando o mundo dá um passo em nossa direção, nós o abraçamos sem remorso. Porém, a igreja que fez as pazes com o mundo é incapaz de mudá-lo.
    Hoje, há o mito que diz que o mundo é mais tolerante que outrora, porque aceita "ambos os pontos de vista". Se numa das esquinas de nossa cidade alguém perguntar: "O que você acha de Jesus Cristo?", receberá, provavelmente uma resposta favorável. Ele seria descrito como um bom mestre ou como alguém que nos ensinou sobre o amor. Entretanto, temos certeza de que o mundo fala bem dEle, porque na verdade não compreende quem de fato foi (e é) Jesus, e por que veio a terra.
    Ouça as próprias palavras de Jesus: "Se o mundo vos abor­rece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim. Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece" (Jo 15.18,19). Em geral, o mundo de hoje,só tem uma opinião favorável em relação a Cristo porque o interpreta mal.
    Lembre-se deste axioma: Quanto mais o mundo entende o propósito da vinda de Jesus, mais o odeia. O que o mundo valoriza, Cristo menospreza; o que Ele ama, o mundo odeia. Anos atrás, F. B. Meyer escreveu: "Entre tais opostos irreconciliáveis como a Igreja e o mundo não pode haver senão antagonismo e discussão. Cada um estima e busca o que o outro rejeita por ser desprezível. Cada um é dedicado a fins que são hostis aos mais preciosos interesses do outro". E veja só, a maioria dos cristãos acha que é possível seguir Jesus sem abandonar os princípios que o mundo nos apresenta.
    Gerações atrás, ouvíamos sermões intitulados "Separação Bíblica", quer dizer, pregações sobre a convicção que temos de nos separar do que desagrada a Deus e de nos comprometer com os valores e crenças da Bíblia.
    Minha geração afirmou ser mais sábia que nossos pais. Dissemos que a lista de "pecados mundanos" era artificial e que tínhamos de tomar nossas próprias decisões sobre esses assuntos. Os cristãos mais velhos, que conheciam o coração melhor que nós, avisaram que se começássemos a tolerar o mundanismo desencadearíamos um "efeito dominó" e chega­ria o dia em que a Igreja ficaria cheia de "crentes mundanos".
    Esse dia é hoje.
    As pesquisas de opinião pública mostram que a diferença entre a Igreja e o mundo é, de certa forma, indistinguível. Os pecados que estão no mundo acham-se na Igreja: imora­lidade, pornografia, entretenimento picante, materialismo, etc. Oficialmente, acreditamos que sem confiar em Jesus como Salvador as pessoas estão perdidas; extra-oficialmente, agi­mos como se o que as pessoas crêem e o modo como real­mente se comportam não tivessem importância. Não é de admirar que nossa luz tenha ficado tremeluzente e nosso sal tenha perdido o sabor.
    Muitos reputam que não temos o direito de julgar o estilo de vida ou crenças de quem quer que seja. Nosso compromisso com o individualismo radical e a privatização da fé nos deixou propensos a 'Viver e deixar viver" sem discussão, avaliação ou repreensão. Perdemos a competên­cia de julgar o mundo porque perdemos a competência de nos julgar. Afirmamos certos princípios e, depois, agimos como se eles não importassem.
    Não é de admirar, na minha opinião, que o versículo mais citado da Bíblia não seja: "Porque Deus amou o mundo" (Jo 3.16), mas: "Não julgueis, para que não sejais julgados" (Mt 7.1). Mesmo nos círculos evangélicos chegamos a ouvir: "Quem é você para julgar?" A implicação clara da. pergunta é que não temos o direito de dizer: "Este estilo de vida é errado", ou: "Isto é heresia", ou ainda: "Este pregador é um falso mestre". A frase que melhor descreve nossa cultura é: Qualquer coisa serve!!!
    Como chegamos a isso?
    Por que achamos tão difícil dizer que algumas opiniões religiosas são erradas? Ou que alguns tipos de comportamento são pecaminosos? Por que permitimos que tanto de Hollywood entre em nossas casas, fingindo que nós e nossas famílias não somos influenciados pela indústria de entreteni­mento? Por que permitimos que falsos mestres e profetas pros­perem sem advertirmos o povo de Deus? Por que há várias formas de ocultismo em prática? Estas são apenas algumas questões.
    Precisamos ter um entendimento melhor de como as idéias prevalecentes da cultura têm influenciado a Igreja. Talvez venhamos a desco­brir que somos mais afetados pelo mundo do que percebe­mos. Antes de nos dedicarmos a falar sobre nossa responsa­bilidade como membros da Igreja, temos de entender os de­safios que confrontamos no mundo que nos cerca. (A VERDADE DESAPARECEU E POUCOS NOTARAM) - 

    Vivemos em uma sociedade pós-moderna, mas o que isso significa? E como o pós-modernismo influencia a Igreja?Toda geração tem de lutar suas próprias bata­lhas; às vezes, as aflições que uma sofre são as mesmas da anterior, porém com freqüência os assuntos são diferentes. Mas cada geração tem de confrontar o inundo, mudá-lo ou ser mudada por ele.
    Hoje nossos desafios são singulares, porque nenhuma geração foi influenciada pela tecnologia como a nossa. So­mos bombardeados com televisão, a revolução do vídeo e a Internet. Talvez nenhuma geração teve tantas oportunidades como a nossa; nem tantas armadilhas. E no meio disso tudo, receio que nos afastamos muito do que é bom em direção ao que é trivial e até mesmo irracional. Em nossos dias, houve uma mega-mudança de pensamento; esta geração percebe a realidade de modo diferente, se comparada às gerações pas­sadas. As pessoas, na maioria, não vêem a vida do modo como a viam, e nós cristãos também não.
    Vamos fazer uma breve excursão ao que se chama mente pós-moderna, de forma que possamos entender melhor os desafios diante de nós. Depois, perguntaremos como somos influenciados pelo mundo e o que pode ser feito a respeito.
    Caindo na Decadência

    A verdade desapareceu e poucos notaram. Diante de nos­sos olhos, as antigas formas de pensamento estão se esmigalhando, e em seu lugar encontramos novas maneiras de ver e conhecer o mundo. Crescemos com suposições que estão sendo descartadas, e em seu lugar acham-se novas conjeturas que oferecem resistência direta ao evangelho cristão. Talvez não seja muito forte dizer que a guerra foi declarada no pas­sado a favor de um novo futuro bravio.
    Não podemos entender o pós-modernismo, a menos que entendamos o que era (e é) o modernismo. O modernismo ( A VERDADE HOJE É DEFINIDA COMO MINHA OPINIÃO PESSOAL DA REALIDADE) - era a crença de que a razão tinha o poder de compreender o mundo; a mente humana, pensava-se, tem a ha­bilidade de interpretar a realidade e descobrir valores abrangentes. Havia um otimismo, acreditava-se no pro­gresso, na convicção de que a ciência e a história pudessem nos conduzir a várias verdades que nos ajudariam a interpretar a realidade. O modernismo atacava a religião, particularmente o cristianismo, porque achava que este estava cheio de superstições. Pelo menos o modernismo acreditava que a verdade existia e não temia dizê-lo.
    Veio o pós-modernismo.
    A noção contemporânea é que a razão fracassou em dar sentido ao mundo. Dizem que o modernismo não tem os blocos construtivos necessários para construir um sistema de verdades que seja aplicável a todas as culturas. A antiga suposição de que há verdade objetiva deve ser substituída pela noção de que, na realidade, não há "verdade" — se por verdade quisermos dizer valores aplicáveis a todas as cultu­ras e em todas as épocas. A verdade, se é que existe, não existe "lá fora" para ser descoberta, mas é simplesmente mi­nha própria resposta pessoal aos dados quê me são apresen­tados. Eu não descubro a verdade, eu sou a fonte da verdade.
    Enquanto o modernismo atacava a religião tachando-a de superstição, o pós-modernismo aceita todas as religiões e considera todos os tipos de superstições. Qualquer espiritualidade agora é aceita sem sequer haver uma indica­ção de que um ponto de vista seja errado e outro certo. Visto que a verdade hoje é definida como minha opinião pessoal da realidade, segue-se que temos qualquer número de "verdades" — aproximadamente uma para cada pessoa no mundo.
    Teoricamente, o pós-modernismo diz que não há padrão independente de certo ou errado, não há padrão indepen­dente de verdade e erro. Contudo, visto que somos seres morais, nem mesmo os pós-modernistas podem descartar todos os julgamentos morais. Quando os pós-modernistas vêem algo de que não gostam, eles têm novos meios de des­crever o que vêem; eles inventam noções que substituem o conceito da verdade.
    Essas novas formas de pensamento mudaram o diálogo em nosso mundo modernOo Temos de entender melhor nos­sa cultura se desejamos desafiá-la.