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    O Amor Perverso - Agostinho (354 - 430) -



    O amor perverso inclina a vontade do bem imutável ao bem mutável
    -O que sei é que a natureza de Deus jamais pode desfalecer, mas os seres feitos do nada podem. Tais seres, quanto mais ser têm e mais bem fazem (então fazem algo positivo), têm causas eficientes; se, porém, desfalecem e, em conseqüência, obram mal (que outra coisa fazem, então, além de vaidades?), têm causas deficientes. Sei também que a má vontade consiste em fazer o que sem seu querer não se faria e, por isso, a pena justa não se segue aos defeitos necessários, mas aos voluntários. O desfalecimento não se encaminha a coisas más, mas de modo errado, ou seja, não a naturezas más, e sim desordenadamente, porque se faz contra a ordem da natureza, do que é em sumo grau ao que é menos.

    Assim, a avareza não é vício do ouro, mas do homem, que ama desordenadamente o ouro, por ele abandonando a justiça, que deve ser infinitamente preferida a esse metal. E a luxúria não é vício da beleza e graça do corpo, mas da alma, que ama perversamente os prazeres corporais, desprezando a temperança, que nos une a coisas espiritualmente mais belas e incorruptivelmente mais cheias de graça. E a jactância não é vício do louvor humano, mas da alma que ama desordenadamente ser louvada pelos homens desdenhando o testemunho da própria consciên­cia. E a soberba não é vício de quem dá o poder ou do poder mesmo, mas da alma que ama desordenadamente seu próprio po­der, desprezando o poder mais justo e poderoso. Por isso, quem ama desordenadamente o bem, seja de que natureza for, mesmo conseguindo-o, se torna miserável e mau no bem, ao privar-se do melhor.