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    Medite na Providência Especial de Deus - J Flavel (1628-1691)


    1. Pensem o mais profundamente que possam e por quanto tempo puderem sobre as providências de Deus
    Asafe disse: "Lembrar-me-ei, pois, das obras do Senhor; cer­tamente que me lembrarei das tuas maravilhas da antigüidade. Meditarei também em todas as tuas obras, e falarei dos teus feitos" (Salmo 77:11-12). Quando se lembram do que Deus fez em vocês e por vocês ao longo de suas vidas seus corações se amolecerão antes de poderem recordar a metade das Suas misericórdias. Se eles não amolecerem, então são realmente duros. Não há no mundo inteiro uma história tão agradável para ser lida do que a de suas próprias vidas.
    Continuem a focalizar o caminho pelo qual Deus os têm conduzido até que o compreendam melhor. O servo de Elias ficou olhando para o céu até que ele viu uma pequena nuvem que rapi­damente cobriu o céu. Então, inicialmente olharão para algumas providências e verão pouco ou nada nelas; mas olhem "sete vezes" e as verão crescer gloriosamente, como a nuvem que cobriu o céu. Há tantas coisas a serem consideradas antes de julgar o valor de uma providência. Há o tempo certo para um acontecimento, a natureza pessoal de um fato em particular, o modo como um ato de misericórdia conduz a outros, e os meios surpreendentes usados pela providência. Além disso, precisamos pensar principalmente no propósito da providência em tudo o que nos acontece. "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto" (Romanos 8:28).
    Finalmente, a providência está relacionada intimamente à ora­ção. Quando Deus nos dá aquilo que pedimos, é como se essas coisas tivessem nelas a estampa de nossas orações!

    2. Pensem como a Palavra de Deus se cumpre pela providência
    Josué pôde dizer aos filhos de Israel: "nem uma só palavra caiu de todas as boas palavras que falou de vós o Senhor vosso Deus; todas vos sobrevieram, nem delas caiu uma só palavra" (Josué 23:14). Isso é verdadeiro para todo o povo de Deus. Se o que está acontecendo ao nosso redor nos aborrece, vejamos o que diz a Palavra de Deus, e logo teremos descanso em nossas mentes. O salmista descobriu essa verdade quando foi ao santuário de Deus. Ele escreve: "então eu compreendi seu fim" (Salmo 73-17).
    É de nosso próprio interesse nos mantermos ligados aos man­damentos das. Escrituras. Quando falhamos em fazê-lo, a providên­cia nos mostra onde fracassamos, como foi mostrado a Davi quando ele pecou tão gravemente (II Samuel 12:11-12). A Palavra de Deus nos diz que é melhor confiar no Senhor do que no homem; na realidade, as Escrituras maldizem aquele que põe sua confiança no homem ao invés de depositá-la no Senhor (Salmo 118:18 e Jeremias 17:5). Quão bem a Palavra de Deus nos promete que a providência cuidará dos justos. Ela diz que ninguém perderá nada ao deixar sua casa e bens por amor do evangelho (Marcos 10:29-30). O apóstolo Paulo fez exatamente isso. Ele se descreveu "como nada tendo, e possuindo tudo" (II Coríntios 6:10). Milhares e milhares de pessoas, desde o tempo de Paulo, têm descoberto que receberam mais do que tinham antes, por obedecerem e confiarem nas promessas de Deus.
    A Bíblia nos assegura que, seja qual for a condição dos santos, Deus não os deixará, nem os abandonará (Hebreus 13:5). Deus estará com eles, mesmo nas provações (Salmo 91:15). Perguntem a si mesmos se Ele já permitiu que vocês caíssem sob o fardo das suas provações. Podem ter se sentido como Davi quando ele disse: "ainda algum dia perecerei pela mão de Saul" (I Samuel 27:1); mas como ele vocês venceram a provação, e em cada detalhe se cumpriram as promessas de Deus. Está escrito que a Palavra de Deus é o único refúgio e descanso no dia de angústia (Salmo 119:50), e que para este propósito foi escrita (Romanos  15:4).
    Essa verdade já não ficou provada por milhares de experiências? Se a providência lhes mostrou tais promessas e lhes assegurou que Deus os ama e sempre estará com vocês, então seu fardo está agora mais leve do que era antes! A providência também con­corda com a palavra que diz que o único meio de aumentarmos nossos bens é dar alegremente aos outros, como se déssemos a Deus (Provérbios 11:24-25; 19:17). A melhor maneira para desfrutarmos paz de espírito é obedecer a Bíblia e entregarmos ao Senhor nossas vidas e tudo que nos concerne (Salmo 37:5-7; Provérbios 16:3).
    Eu não estou dizendo que os crentes nunca têm aflições, nem tampouco que Deus sempre pune cada pecado imediatamente. (Se fosse assim, quem ficaria em pé? — Salmo 130:3). No entanto, isto eu digo: é uma bênção quando Deus aflige os Seus filhos. Por tais providências, os avisos da Palavra de Deus, bem como as promessas, se cumprem.

    3. Estejam certos de que vêem Deus como quem causa e ordena todos os eventos da providência
    Deus é "o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação" (II Coríntios 1:3). E, "o vosso Pai celestial bem sabe que necessi­tais de todas estas coisas" (Mateus 6:32). Apenas têm que Lhe dizer o que precisam, para livrarem-se de ansiedade (Filipenses 4:6). Vejam a sabedoria da livre graça de Deus, a qual é o veículo de todas as bênçãos que recebem. Todas elas chegam através do sangue de Cristo e do concerto da graça (I Coríntios 3:22-23).
    Nunca se esqueçam de que Deus é soberano. Ele é um ser muito maior do que vocês, o Todo-poderoso que faz o que Lhe apraz (Salmo 115:3). Poucos anos atrás vocês não existiam. Quando aprouve a Deus trazê-los ao mundo, não tiveram escolha do lugar ou da condição em que nasceriam.
    Deus deveria ser visto nas providências tristes também. Vejam a graça e a bondade de Deus em todos os acontecimentos tristes. Até mesmo nos momentos mais escuros, podemos ver a bondade de Deus de duas maneiras: a misericórdia, em preservar este mun­do, e a graça, em salvar Seu povo para o mundo futuro. Então, vejam a sabedoria de Deus em todas as suas provações! O tempo e a quantidade de sofrimento são tais que vocês não ficam sem auxílio. Vejam tudo isso e perguntem-se aquilo que Deus perguntou a Jonas: "É acaso razoável que assim te enfades"? (Jonas 4:9). A fidelidade do Senhor não permitirá que Ele falhe em disciplinar onde houver essa necessidade, nem o fará abandonar Seu povo enquanto o estiver disciplinado (I Pedro 1:6 e II Coríntios 4:9). Porventura não vêem em Deus mais do que em qualquer pessoa ou coisa que tenham perdido? Ele é a Rocha Eterna, "o mesmo ontem, hoje e eternamente" (Hebreus 13:8). Pode ser que em apenas alguns dias suas circunstâncias mudaram tristemente, mas Deus é sempre o que Ele foi; o tempo não O mudará. "Seca-se a erva e caem as flores, mas a palavra do nosso Deus subsiste eternamente" (Isaías 40:8).

    4. Despertem seus corações para entender os diferentes cami­nhos dás várias providências de Deus (Eclesiastes 7:14)
    Há dois tipos de consolo — o natural e o espiritual. Há um momento quando os cristãos podem desfrutar de ambos (Ester 9:22), e há um momento quando o consolo natural não pode ser gozado (Salmo 137:2). Mas não há momento algum no qual a alegria espiritual e o consolo de Deus não possam ser experimen­tados (I Tessalonicesses 5:16 e Filipenses 4:4). Até mesmo nas piores provações que possam vir ao cristão, nós podemos fazer as seguintes perguntas:
    (i) Por que essas provações nos fazem esquecer do nosso con­solo em Deus, uma vez que são passageiras e a nossa alegria em Deus é eterna?
    (ii) Por que deveríamos ficar tristes, já que nosso Deus está conosco nas provações? Uma única promessa, "estarei com ele na angústia (Salmo 91:15), basta para nos sustentar em todas as nossas tribulações.
    (iii) Por que nós que somos crentes em Cristo deveríamos ficar tristes, já que podemos estar certos de que nenhum ato da providência, por pior que pareça, é sinal da ira de Deus? O coração de Deus está cheio de amor por Seus filhos, até mesmo quando parece que a face da providência está fechada.
    (iv) Por que deveríamos ficar deprimidos quando temos cer­teza de que, mesmo por meio dessas providências, Deus nos fará o bem? (Romanos 8:28).
    (v) Por que não deveríamos pensar na nossa alegria em Deus, já que está tão próxima a hora na qual tristezas serão findas, e nós não sofreremos mais? "Deus limpará de seus olhos toda a lágrima" (Apocalipse 7:17).
    Se, então, puderem manter sua alegria e conforto em Deus em todas as circunstâncias, tomem cuidado para não ter amor ex­cessivo pelas coisas terrenas. Pensem na segunda vinda do Senhor, e as coisas deste mundo lhes parecerão muito pequenas. Firmem seus corações em coisas eternas e não arrisquem perder o gozo do seu relacionamento com Deus, por causa de alegrias terrenas e passageiras. Se temos muito, ou pouco, das coisas deste mundo, aprendamos a estarmos contentes (Filipenses 4:11-12).
    Eu peço aos incrédulos que considerem esses fatos com serie­dade. As Escrituras dizem que o inferno é o destino eterno dos ímpios. O fato de ainda estarem vivos, mostra a grande bondade e paciência de Deus para com vocês. Não merecem nenhuma graça, mas a providência prolonga suas vidas. Porventura a pregação do evangelho não significa nada para vocês, pela qual ainda podem escapar da punição do inferno? O que diriam aqueles que agora estão eternamente perdidos, se pudessem achar-se novamente na mesma situação de vocês?
    Voltando ao filhos de Deus, eu peço que considerem as mise­ricórdias espirituais e bênçãos que vocês recebem no Senhor Jesus. Uma só dessas bênçãos é suficiente para suavizar todos os seus problemas neste mundo. "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Efésios 1:3). Considerem o que o seu pecado merece de Deus e o que é requerido para que sejam purificados dele. Seu pecado merece ruína eterna, no entanto vocês desfrutam de tantas bênçãos! Os problemas que lhes sobrevêm pela providência são necessários para subjugar o pecado que re­manesce em vocês. Apesar disso, vocês não acham que ainda têm corações orgulhosos? Entretanto, vejam quão próximos estão do céu. Tenham um pouco mais de paciência e tudo estará tão bem com vocês, como seus corações desejam; ". . .porque a nossa sal­vação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé" (Romanos 13:11).

    5. Se a providência retarda uma bênção que você, meu irmão,
    vem solicitando e esperando, não se canse de orar a Deus
    Nós sempre queremos ser atendidos rapidamente. Mas as pro­vidências tristes ainda não tiveram o necessário efeito em nossos corações. Nós estamos errados em ser impacientes. Quanto mais esperamos e oramos, melhor será quando a resposta vier. "Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação gozaremos e nos alegraremos" (Isaías 25:9). O filho tolo colhe e come a maçã ainda verde. Mas quando a fruta está madura, ela cai por si mesma e é mais agradável para comer.
    Muitas vezes as bênçãos estão mais próximas do povo de Deus quando suas esperanças se acham no nível mais baixo. Foi assim na libertação do povo de Deus do Egito e Babilônia (Êxodo 2:23 e Ezequiel 37:11). E em nosso caso particular, talvez as bênçãos demorem por não estarmos em condições de recebê-las. De qual­quer modo, nunca as merecemos. As bênçãos são sempre o fruto da pura graça de Deus. Portanto, temos boa razão para esperá-las com paciência e coração agradecido.

    6. Não questionem os caminhos da providência, nem os
    julguem
    Há coisas difíceis de serem compreendidas nas obras de Deus, bem como nas Suas palavras. Nós não devemos usar raciocínio natural e orgulhoso quando pensamos nas obras de Deus. Asafe com muita ousadia tentou perscrutar os meios secretos da provi­dência. Então ele disse: "Quando pensava em compreender isto, fiquei sobremodo perturbado" (Salmo 73:16). Jó também foi culpar do do mesmo procedimento (Jó 42:3). Eu sei que não há nada na palavra ou nas obras de Deus oposto ao raciocínio sadio, mas há algumas coisas que ultrapassam o raciocínio humano. Por exemplo, o raciocínio humano não pode conceber o bem provindo dos acon­tecimentos tristes, e nós somos tentados a desconfiar da providência. Por conseguinte, tomem cuidado para não se inclinarem muito ao seu próprio raciocínio e entendimento. Nada parece ser mais natural do que julgar os fatos por padrões humanos, mas nada é mais perigoso!