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    A Verdade é Subjetiva?







    A Heresia da Teologia Relacional


    O bispo Warburton certa vez disse que a ortodoxia "é minha doxia; a heterodoxia é a doxia de outro homem". A máxima tende a nos agradar, pois apela para nossa moderna noção de que, no fundo, todas as questões de verdade e erro são subjetivas e questão de preferência pessoal. Dois ministros de diferentes denominações conversam, e um diz ao outro: "Claro, nós servimos ao mesmo Deus - você da sua forma e eu da forma dele". E, assim, a modernidade, sorrindo silenciosamente, parece ter perdido a própria noção de ortodoxia.

    Mas, é claro, isso não é tão fácil assim. O conceito de ortodoxia é realmente inescapável, e nenhum homem pode agir fora de suas limitações. A palavra grega orthos significa direto, ou correto, e doxia deriva do verbo dokein, que significa pensar. A palavra doxa, o ancestral imediato de doxia, significa opinião. Portanto, ortodoxia significa uma crença correta ou uma opinião correta. É espantoso que alguém possa ser contra isso. Podemos verificar que ninguém é contra isso todo homem afirma que o que ele mesmo sustenta é a verdade. Cada pessoa no mundo, durante todo o dia, cada dia, pensa que está certa. Até mesmo aqueles infelizes relativistas e niilistas pensam que entendem que a verdade não existe. E bom eles irem até onde puderem. Eles não vão muito longe.

    Ninguém jamais censurou a ortodoxia, a não ser em nome de outra ortodoxia. Aqueles muitos que reclamam fidelidade a "nenhuma ortodoxia" são evidência não de que essa observação esteja incorreta, mas de que o pensamento confuso está se tornando uma virtude nacional. De fato, nós apenas estabelecemos ortodoxias e absorvemos ações ortodoxas como heresias. Dessa forma, cada posição é uma ortodoxia. A única questão é "de quem?". A questão, para os cristãos, refere-se ao modo pelo qual a linha reta deve ser traçada. Nós definimos que algo é verdadeiro e correto de acordo com as palavras dos homens? Ou não? Nós apelamos à Palavra de Deus? Ou não?

    A antítese de reto é torto ou torcido. Continuando a analisar a questão da ortodoxia, nós temos apenas duas opções. Ou os homens dizem que a Palavra de Deus é torta ou Deus diz que a palavra dos homens é torcida. Um pronunciará juízo sobre o outro, e, necessariamente, nesse juízo, o juiz pressupõe ser o árbitro de tudo aquilo que é bom, verdadeiro e amável, e, assim, a questão chega a um ponto inevitável - qual alegação, a do homem ou a de Deus, é correta?

    O apóstolo Pedro fala, e não muito rebuscadamente, daqueles que mercadejam a verdade de Deus:

    "E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, bem como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles" (2Pe 3.15,16).

    A palavra traduzida como deturpam é strehlao, que se refere a colocar alguma coisa sobre uma mesa e torcer até ficar irreconhecível. É claro que aqueles que estão ocupados nessa atividade não se descrevem dessa forma. Eles não advertem seus seminaristas de que estão sendo instruídos por pessoas ignorantes e instáveis. A afirmação de Pedro, aqui, talvez seja um pouco tendenciosa. Sua opinião sobre sua principal atividade é a de que eles estão certos. Mas será que estão mesmo?

    Quando nós nos voltamos para a Palavra de Deus como o padrão, como devemos fazer, nós descobrimos que devemos ter mais do que assentimento profissional. Quando trabalhamos dentro de categorias bíblicas, vemos que a ortodoxia envolve muito mais do que mero conhecimento intelectual. A ortodoxia exige todas as nossas faculdades, nossa razão, nossa imaginação, nossos hábitos corporais e nossas afeições. O pensamento reto é inconsistente com vidas tortas. A fé sem obras é morta; as histórias sem dragões são entediantes; o culto é uma questão de sólida doutrina e de uma comida bem feita no fogão; e um deus ligado à terra, porém como uma pintura nobre, é algum tipo de Prometeu, e não o Deus de Abraão. O fato de que, para muitos, o precedente parece ser uma corrente de non sequiturs ajuda a demonstrar nosso problema. Nós falhamos em ver que a ortodoxia é realmente um hábito corporal que, naturalmente, tem que incluir a mente. Esse é o motivo pelo qual a verdadeira ortodoxia é amável e envolve o homem integralmente.

    Assim nós podemos expandir nossa observação anterior. Ou os homens alegam que a Palavra de Deus é feia, ou Deus dirá que a palavra do homem é feia. Ou os homens alegam que o doce é amargo, ou Deus alegará que os homens o esqueceram, a fonte da água viva. Assim, o caminho da salvação pode ser encontrado não na afirmação das verdades da ortodoxia com confiança, mas pelo reconhecimento de que as palavras de Deus são vida em si mesmas. Elas são ouro refinado, são como mel aos lábios, são vinho envelhecido, elas nos convidam a um banquete no reino.

    O nosso próprio Senhor está sentado à mesa com atavios transparentes, roupa branca de linho, e a prataria está perfeitamente alinhada, à moda ortodoxa. O cristal é glorioso, e cada taça está cheia de vinho tinto, o vinho rubro da aliança perpétua. Ao lado de cada assento está uma pedra branca servindo de crachá, com um nome escrito sobre ela, a mão, antes do início dos tempos. O mistério é glorioso - se não há tempo, então como nós podemos ter referentes temporais como antes? e a comida é ainda melhor.

    Mas quando nós olhamos para essa festa, e quando nós esperamos por ela, há alguns homens instáveis que tentam nos distrair. Eles têm uma concepção alternativa para a festa, mais de acordo com nosso estilo de vida contemporâneo, sem parar, 24 horas por dia, sete dias por semana. A vida é relacional, e a ceia não está preparada porque nós temos que ajudar a prepará-la e nós estamos muito ocupados. Ávida é um processo, eles dizem, e, assim, a verdade pode ser encontrada em uma loja de conveniência perto de você. Eles querem alguma ajuda para tirar o invólucro de plástico, como uma embalagem a vácuo que fica agarrada a uma caixinha de bala, e se nós colecionarmos um número suficiente de cupons nós podemos, eventualmente, resolver o problema do mal.

    D. Wilson