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    Perdendo a Vida - Encontrando a Vida - Wayne A. Mack





    Jesus disse aos discípulos que eles teriam de estar dispostos a tomar uma cruz, negar a si mesmos, e segui-lo (Mateus 16.24; Marcos 8.34; Lucas 9.23). Como parte desse desafio, Jesus disse: 


    Aquele que deseja salvar a sua vida perdê-la-á.  E qualquer um que perder sua vida por Minha causa e do Evangelho a salvará (Mc 8.35). 


    E novamente, no meio de Sua viagem final a Jerusalém para a festa da Páscoa, Jesus confrontou Seus antagonistas, os fariseus, com este alerta velado: 


    Quem quiser preservar a sua vida, perdê-la-d; E quem a perder de fato a salvara (Lc 17.33). 


    Por fim, durante a semana final da Paixão, Jesus se dirigiu a "alguns gregos" que buscavam a Ele. Contemplando Sua morte iminente, Jesus disse: 


    Quem ama a sua vida, perde-a; Mas aquele que odeia a sua vida neste mundo, preservá-la-á para a vida eterna (Jo 12.25). 


    Em pelo menos quatro ocasiões, enquanto se dirigia a três públicos diferentes, nosso Senhor pronunciou essas difíceis palavras. Para humanos finitos, essas são palavras difíceis - na melhor das hipóteses paradoxais; na pior das hipóteses, completamente sem sentido. Mas elas são, de fato, as palavras do próprio Salvador, e palavras que comunicam a verdade central de Seu ensinamento sobre o viver bem-sucedido. 


    Perdendo a Vida - Encontrando a Vida 


    Para entendermos a promessa de Cristo, precisamos considerar duas nuanças da palavra vida que estão em jogo. O alerta é que qual quer que deseje salvar sua vida (i.e., vida temporal, material), perdê-la-á (i.e., bem-aventuranças eternas). A promessa é que quem estiver disposto a perder sua vida (novamente, vida material) por causa do Salvador ha verá, de fato, de encontrar vida (mais uma vez, questões de importância eterna). Aliás, Hort insiste que "este dito 'paradoxal tem fundamento a partir do fato de que os homens chamam de Vida', o que não é verdadeiramente vida: 'aquele que deseja salvar sua Vida5 (i.e., vida no sentido limitado) perderá sua Vida' verdadeira (i.e., vida no sentido maior)". Morison reconhece a mesma distinção; ele parafraseia o alerta: "Ao agarrar a sombra, ele haverá de, sem dúvida, perder a substância". 


    A afirmação é, portanto, paradoxal somente porque as pessoas não compreendem o que constitui a vida real. Estão completamente persuadidas de que a vida consiste daquilo que uma pessoa possui; Jesus diz que não (Lucas 12.15). Elas vivem sob a ilusão de que a satisfação repousa no atingir alvos, criar uma reputação, exercer grande poder, e acumular muita riqueza; Jesus afirma simplesmente que a pessoa que aprende a sentir sede e fome de justiça é bem-aventurada, porque essa pessoa será farta (i.e., satisfeita, Mateus 5.6). As pessoas voltadas à satisfação da alma, que se auto-persuadiram a crer que felicidade e contentamento são encontrados no mundo atual, são compelidas pela força de sua própria lógica abominável a colocar seus olhos neste mundo. 


    Mas a dinâmica do paradoxo espiritual de Jesus nos constrange a focarmos a glória da Pessoa de Deus em lugar de focarmos a atenção na gratificação de nossos próprios desejos. O fundamento lógico para essa ética generosa é tão descomplicada para os olhos da fé quanto é inescrutável ao homem natural; ela é tão compelidora a quem é controlado pelo Espírito quanto é repugnante para alguém controlado pela carne. Esse fundamento lógico é simplesmente o seguinte: "E qualquer um que perder sua vida por Minha causa e do Evangelho a salvará"! Em outras palavras, a única forma de se encontrar uma vida frutífera e contente é se entregar a Deus ("Minha causa") e aos outros ("por causa do Evangelho"). 


    Talvez se argumente que existe um egocentrismo latente nessa ética, que entregar a própria vida com a motivação de resgatá-la é, no fundo, egoísmo. Mas esse argumento baseia-se na postura incorreta de que Deus Se desagrada com a felicidade das pessoas, que Deus quer que elas sejam miseráveis e, por conseguinte, que é moralmente impróprio a alguém anelar ou lutar por felicidade. Na realidade, Deus é um Deus bom e amoroso que anseia que Suas criaturas encontrem satisfação da alma que Ele lhes deu. O testemunho unívoco das Escrituras é que o coração de Deus anela que cada pessoa encontre contentamento. Aliás, Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu próprio Filho para dar a paz que satisfaz a alma. A perversidade não repousa no desejo de encontrar o contentamento da alma, mas na determinação de encontrá-la às custas dos padrões e ordens de Deus. Deus tem um prazer imensurável naqueles que se determinam a obedecê-lo e que, por meio dessa obediência, conhecem a paz que transcende a compreensão humana.