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    A Maligna e Venenosa Natureza do Pecado - S. Bolton (1606-1654)





    Aquilo que luta contra e se opõe ao maior Bem, deve ser o maior mal, portanto, o pecado se opõe e luta contra o maior Bem. Por isso um dos Pais da Igreja chamou o pecado de "Deus-matança", aquele que luta contra o ser e a essência de Deus, aquele que, se fosse suficiente mente forte e infinitamente mau como Deus é infinitamente bom, porfiaria para "acabar" com Deus. Deus é summum bonun, e realmente non datur summum malüm, o pecado não pode ser infinito. 

    Se o pecado fosse tão mau quanto Deus é bom, isto é, adequada e proporcionalmente, se fosse infinitamente mau como Deus é bom, o pecado seria difícil demais para Deus perdoar. Seria difícil demais para Deus subjugar, difícil demais para Deus vencer. O pecado se empenharia em vencer Deus. 

    Realmente há mais mal no menor pecado do que há do bem em qualquer um dos anjos do céu. Por isso o pecado conquistou-os espoliando toda a bondade deles, tornando-os demônios, o que não aconteceria se o bem existente neles tivesse sido maior do que o mal do pecado. 

    Contudo, ele não é capaz de conquistar a Deus, de vencê-lO (há mais bem em Deus do que mal em dez milhares de infernos de pecado e por isso ele não pode vencer o poder de Deus, a misericórdia de Deus, a santidade de Deus), ainda assim ele batalha e faz complô contra Deus continuamente. Reúne todas as forças contra Ele e vem em campo aberto desafia- IO todos os dias. 

    E não somente isso, quando expulso do campo aberto pelo poder de Deus e Suas ordenanças, então o pecado tem fortalezas, como diz o apóstolo em II Cor. 10:4, e a partir delas luta e se opõe a Ele. Usa sua concupisciência contra Ele, sua vontade contra Ele, seu coração se levanta contra Ele. 

    Quando o pecado é expulso do campo, ainda leva um longo tempo até que seja expulso da fortaleza. Quando ele na prática é vencido e conquistado, mesmo assim, na afeição é difícil de ser vencido. A oposição que há entre Deus e o seu coração pecaminoso é difícil de ser vencida. Custará a você muitas batalhas, muitos assaltos, até que possa vencê-lo em suas fortalezas, vencê-lo em seu coração. 

    Embora às vezes possa parecer estar vencido e extirpado, ele ainda posteriormente se refaz e fará novas investidas contra você, para enfraquecê-lo e feri-lo. 

    Ora, aqui está a malignidade, a maligna e venenosa natureza do pecado, embora Deus o tenha conquistado, contudo ele nunca foi enfraquecido, ele ainda irá agir contra Deus e expelir seu veneno. 

    Temos um exemplo disso no ladrão sobre a cruz. Quando ele foi pregado na cruz, mãos e pés cravados, somente um membro não ficou fixo, e esse membro podia ainda expelir seu veneno, injuriando Cristo. Assim, apesar de Deus ter crucificado o pecado, enquanto houver vida nele, ele agirá por si e expelirá veneno contra Deus, o que mostra essa grande oposição entre Deus e o pecado. E por isso essa obstinação e oposição ao maior Bem deve mostrar que o pecado é o maior mal.