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    Perguntaram a um ex-presidente do Liverpool Football Club, Bill Shankly, o que ele achava do futebol. A resposta foi: “Futebol não é uma questão de vida ou morte. É mais importante do que isso”. A mesma resposta cabe a uma pergunta sobre a internet. Por meio dela, cada vez mais estamos estabelecendo um nova relação com a posteridade.

    Ante da internet, cada pessoa deixava ao mundo pistas desconexas sobre a sua vida, sinais acidentais do dia a dia. Qual seria o último retrato de alguém que tivesse, digamos um súbito e fatal ataque do coração? Um cheque em alguma caixa. Um bilhete na porta da geladeira. Um recado em alguma secretária eletrônica. Um relatório escrito na manhã daquela fatalidade.

    Hoje, nossos passos são muito mais claros, nossas pegadas são muito mais conscientes. Nós racionalizamos mais o registro de nossas atividades e pensamentos diários, por meio dessa chamado rede social. Temos retratos instantâneos de nossas vidas diárias. Dizemos ao mundo o que pensamos dele... num blog, de graça, com toda a facilidade possível.

    Postamos fotos num momento e podemos não estar mais aqui no próximo.
    Outro dia li na revista  Newsweek um melancólico artigo sobre pais que perderam seus filhos muito cedo e o sentimento conflituoso com os fartos registros que os jovens tinham deixado nessas comunidades virtuais tudas. E agora?

    Entrar neles para viver intensamente os últimos momentos de suas vidas? Ou se afastar para não enfrentar a dor da perda? Antigamente essa angústia se limitava a diarinhos fechados por um pequeno cadeado. Hoje são registros que estão expostos em escala planetária.

    Com o tempo aprendemos que a morte é um fato que faz parte (agora) da vida. A cada dia estamos mais perto do dia em que não estaremos mais por aqui. Isso é um fato, não um pensamento depressivo. A possibilidade da morte súbita é ainda mais difícil de aceitar. Isso acontece com os outros. A gente entra no carro, vai para o trabalho, passeia no shopping, desce a serra, sobe o elevador, chora, ri, tosse, assoa a nariz. Passa na padaria, assiste à novela, lê mais uma página do livro, suspira, encontra um conhecido na rua, resolve atravessar a avenida. Aí pode ser um motoboy, pode ser uma bala perdida, pode ser um derrame devastador, pode ser qualquer coisa. ACABOU!

    Aprendi com o tempo que a vida é mais do que um dia após o outro. A vida é um minuto após o outro. Nasci a tempo de ver essa lenta e fabulosa revolução do registro digital. Não sou grande freqüentador de Twitter e do Orkut..., mas me obrigo a escrever antes de dormir um novo post no meu blog. Não me parece mórbido a consciência de que cada post no blog, cada tweet, cada recado no Facebook pod ser o último. Apenas valoriza cada momento.

    Mashup Dagomir Marquizi

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