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    COMO CRISTO É CHAMADO - Richard Sibbes (1577 - 1635).







    O profeta Isaías, sendo elevado e carregado com a asa de um espírito profético, atravessa todo o tempo entre ele e o aparecimento de Jesus Cristo na carne. Vendo com o olho da profecia, e com o olho da fé, Cristo como presente, ele o apresenta, no nome de Deus, ao olho espiritual de outros, nestas palavras: “Eis o meu servo, a quem sustenho; o meu eleito, em que a minha alma se deleita; pus o meu espírito sobre ele; produzirá juízo entre os gentios. Não clamará, não se exaltará, nem fará com que a sua voz seja ouvida na rua. O caniço ferido não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; produzirá julgamento em verdade” (Is 42.1-3, KJV). Tais palavras são afirmadas por Mateus como cumpridas em Cristo (Mt 12.18-20).


    Nelas são expostos, primeiro, o chamado de Cristo ao seu ofício; segundo, a maneira pela qual ele o leva a efeito.


    COMO CRISTO É CHAMADO


    Deus o chama aqui de seu servo. Cristo era o servo de Deus no melhor serviço que já teve, um servo escolhido e seleto que fez e sofreu tudo por comissão do Pai. Nisso podemos ver o doce amor de Deus para conosco, em que ele reputa a obra de nossa salvação por Cristo seu maior serviço, e naquela ele porá seu amado Filho único para tal serviço. Ele bem pode ser chamado de “Amado” para elevar nossos pensamentos ao mais alto grau de atenção e admiração. Na hora da tentação, as consciências apreensivas olham tanto para o problema presente em que estão, que precisam ser incitadas para contemplar a ele, em quem podem encontrar repouso para suas almas aflitas. Nas tentações, é mais seguro olhar para coisa nenhuma, a não ser Cristo, a verdadeira serpente de bronze, o verdadeiro “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1.29).


    Esse objeto salvídico tem uma especial influência consoladora para a alma, especialmente se  olharmos atentamente não apenas para Cristo, mas para a autoridade do  Pai e seu amor nele. Pois em tudo que Cristo fez e sofreu como Mediador,  devemos ver nele Deus reconciliando o mundo consigo (2 Co 5.19).  Que apoio esse para a nossa fé, que Deus Pai, a parte ofendida por  nossos pecados, seja assim agradado com a obra de redenção! E que conforto esse, que, vendo o amor de Deus repousar sobre Cristo, que tanto se apraz nele, podemos inferir que ele também se agrada conosco, se estivermos em Cristo! Pois seu amor repousa num Cristo inteiro, no Cristo místico, tanto quanto no Cristo natural, porque ele o ama e a nós com um amor. Que abracemos, portanto, Cristo, e nele o amor divino, e edifiquemos nossa com segurança em um tal Salvador que foi provido com uma tão alta comissão.


    Vemos aqui, para nosso conforto, uma doce concordância de todas as três pessoas: o Pai uma comissão a Cristo; o Espírito o provê e o santifica para isso, e Cristo mesmo executa o ofício de Mediador. Nossa redenção está fundamentada sobre a concordância conjunta de todas as três pessoas da Trindade.