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    Amor, Violentado amor – O Chamado de Oséias



    Além da grande tragédia que experimentou, pouco sabemos da vida de Oséias. Era filho de Beeri, de Issacar. Nascido em Bete-Sames, era originário do Reino do Norte. Começou o ministério nos últimos trintas anos do reinada de Jeroboão II; portanto, era contemporâneo do rei Uzias.


    Profetizou na mesma época de Isaías e de Amós. O quarteto conhecido como "os profetas do século VIII" - Amós, Oséias, Isaías e Miquéias - se compunha de homens de Deus poderosos, cuja contribuição às profecias do AT, em conjunto, jamais seria suficientemente exaltada. Esses quatro profetas-evangelistas foram o "Desafio imortal de Deus ao pecado, à imoralidade, à idolatria e ao paganismo. Transmitiram a mensagem divina e imortal de advertência, de denúncia e de condenação. Com essa palavra severa, anunciaram a promessa divina de esperança, de salvação e de vitória".



    Há traços inegáveis da influência de Oséias sobre Isaías, Jeremias e Ezequiel, e "talvez ele seja o único profeta do Reino do Norte cujas sentenças nos chegaram em plenitude literária", diz Ellicot, "incorporando na própria linguagem características do dialeto do norte da Palestina". Oséias é o primeiro da lista dos profetas menores em virtude da "extensão, veemência e patriotismo de suas profecias, bem como de semelhança com as profecias dos grandes profetas"



    A importante influência desse profeta menor pode ser vista no modo em que os profetas posteriores expressam, com suas sanções inspiradas, as profecias de Oséias (Is 5.13;9.12,13; 11.12,13; Sf 1.3; Jr 4.3), e também pelas muitas referências do NT ao seu ministério (Mt 2.15; 9.13; Lc 23.30; 1Co 15.4,55; 1Pe 2.10; Ap 6.16).



    Os dias em que Oséias viveu careciam de voz forte e compassiva de alguém que não se recusasse a ressaltar a mensagem divina de juízo e calamidades vindouras, uma voz que não se escusasse de anunciar que essas mesmas calamidades redundariam em condenação irreversível. ( The Boblical expositor ) comenta: "Durante todo o seu ministério, ele vagou em meio à anarquia, á revolta, ao derramamento de sangue, às contendas, aos comportamentos imorais, aos lares desfeitos, ao ódio entre classes, aos tribunais corruptos, às extravagâncias, às bebedeiras, à escravidão e à superficialidade religiosa.

    A idolatria a incúria e a ímpia satisfação própria, juntas, formavam um fardo intolerável. Os sacerdotes falharam e nivelaram-se aos bandidos e agitadores. A adoração era forma, profissional e sem sentido. Era uma situação patética. Como Deus poderia voltar para esse povo o seu olhar de misericórdia?



    Como um profeta espiritual poderia esperar ter alguma associação com um povo ímpio como esse? Reis, sacerdotes e príncipes estavam todos contra ele. Não contava com a ajuda da própria família. O pecado, o egoísmo, a avareza e o paganismo zombavam dele o tempo todo. A sua tarefa era inútil"



    Deus, porém prepara a quem chama. Com o "Ide" sempre há o "Estarei convosco". Assim, lá foi Oséias, como mensageiro ungido de Deus a um povo pecador, com uma mensagem de misericórdia e de juízo.




    No fundo, essa alma estranhamente poética, profundamente espiritual e por demais sensível, com "centelhas brilhando dos seus olhos cheios de lágrimas", era um evangelista cuja forma de pregação era pessoal e persuasiva. Ele clamava por decisões, ao lembrar ao povo de que seu pecado hediondo exigia arrependimento e confissão. Que sentimento neste apelo: "Volta, ó Israel, para o Senhor teu Deus" (14.1).

    Oséias parece "um homem mais das emoções do que da lógica, um poeta,mais que um pregador", em seus apelos, cuja tônica é o amor, violentado amor. A leitura do seu livro revela a riqueza de recursos pelos quais realçava seus apelos. Certo escritor, referindo-se à rápida transição de Oséias de uma forma de elocução para outra, disse: "A linguagem do profeta assemelha-se a uma grinalda de diversas flores; imagens entretecidas umas nas outras, símiles seguidos de outros símiles, metáforas ao lado de metáforas".


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