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    Pensando de maneira perversa sobre Deus - Tozer



    TAMANHO É PALAVRA CARACTERÍSTICA DA CRIATURA.


    Para Deus a qualidade é imensamente importante, e o tamanho tem pouca importância. Quando postos em oposição mútua, a qualidade é tudo e o tamanho não é nada.

    Não é difícil entender isso, visto que tamanho é palavra característica da criatura, e só se aplica a matéria. Tem a ver com dimensão, peso ou número de coisas criadas. Deus não tem tamanho, pela simples razão de que nenhum dos atributos da matéria se aplica a Ele, e tamanho é atributo da matéria.

    Atribuir tamanho a Deus é faze-lo sujeito a graus, o que Ele nunca pode ser, visto que a própria idéia de grau relaciona-se unicamente com as coisas criadas. Aquilo que é infinito não pode ser mais ao menos, maior ou menor, e Deus é “Eu Sou o que Sou” é como Ele, em Sua condescendente paciência, explica a inteligência criada o Seu Ser incriado.

    Qualidade, no sentido em que usamos aqui a palavra, tem a ver com o ser puro, com o intrínseco, e não admite propriamente grau. Por esta razão podemos atribuir qualidade a Deus, não tamanho, porém.

    Deus fez o homem à sua imagem e lhe deu intelecto, emoção e vontade, juntamente com percepções moral e capacidade de conhecer e cultuar a seu Criador. Estes atributos constituem qualidade do ser e diferenciam o homem do mundo que o cerca, e mesmo do seu próprio corpo. Os corpos materiais têm extensão no espaço, peso e forma, mas lhes falta capacidade para pensar, sentir, amar, comover-se, cultuar. Porque lhes falta esta capacidade, e especialmente porque lhes falta o poder da vontade, não possuem qualidades morais e espirituais de nenhuma espécie. E porque não têm estas qualidades, não são nada em si mesmos. Seu único significado é aquele que ocasionalmente lhes pode ser outorgado por Deus ou pelo homem, que Ele fez a sua semelhança.

    A queda moral do homem obscureceu a sua visão, confundiu o seu pensamento e o tornou sujeito à ilusão. Uma evidência disso é a sua quase incurável propensão para confundir os valores e pôr o tamanho antes da qualidade em sua apreciação das coisas. A fé cristã inverte esta ordem, mas até os cristãos tendem a julgar as coisas pela velha regra adâmica. QUE TAMANHO? QUANTO? QUANTOS? São as questões levantadas mais freqüentemente pelas pessoas religiosas quando tentam avaliar as coisas cristãs. Isto se faz mediante uma sorte de reflexo inconsciente, porque no mundo da matéria, do movimento , do espaço e do tempo, essas questões têm significação válida. No mundo do espírito nada significam, e, apesar disso, nós as carreamos para dentro do reino de Deus, prova suficiente de que as nossas mentes só foram renovadas imperfeitamente.

    Nosso problema é que pensamos como homens. Temos gosta da terra, e não do céu, e a nossa psicologia não é a de Cristo, mas, sim, a de Adão. Todo o tempo insistimos teimosamente em que somos cristãos bíblicos, mas é para vergonha nossa que muitos filósofos pagãos tinham mais inclinação espiritual que nós. Sócrates, Epicteto, Marco Arrelio e muitíssimos mais poderiam apresentar-se para testemunhar contra nós. Foram mais sábios em sua geração destituída da luz do Novo Testamento do que nós a possuímos.

    A fé cristã bate-se por um reino espiritual onde a qualidade do ser é tudo. “Mas vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores adorarão o Pai e espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura pra seus adoradores. Deus é espírito e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. Com estas palavras Jesus mostrou como os judeus e os samaritanos estavam extraviados em seus argumentos sobre o lugar próprio para o culto. Nem a beleza de uma cidade, nem o vulto de um monte têm importância para o Pai. Verdade e espírito, e toda a riqueza de qualidades morais que os cercam: estas coisas são o supra-sumo de tudo.

    Não é raro encontrar estudantes universitários cuja fé em Cristo foi lamentavelmente abalada por expor-se aos ensinamentos da ciência. Depois de algumas aulas de astronomia e uma olhada pelo telescópio, o seu pulcro e diminuto universo começa a desmoronar-se. A consumada enormidade dos corpos celestes e a imensidão do espaço os oprimem. A Terra é apenas uma pinta microscópica na vastidão do espaço, e o homem nada mais que uma cabeça de alfinete na superfície da Terra, e Deus é algo que está além da mais distante estrela, afastado bilhões de anos-luz – como, pois, poderia Deus fazer-se homem e habitar entre nós? E de que vale o homem, insignificantemente pequeno e de vida pateticamente curta?

    Pensar deste jeito é confundir tamanho com qualidade; é pensar de maneira ignóbil do Deus Altíssimo; é identifica-lo com a matéria e fazê-lo servo do tempo e do espaço; é degradar o conceito cristão da Divindade e cair vítima da incredulidade.

    A verdade é que uma só alma feita à imagem de Deus Lhe é mais preciosa do que todo o universo repleto de astros.

    A astronomia lida com espaço, matéria e movimento; a teologia lida com a vida, a personalidade e o mistério do ser. O corpo do salmista Davi, por exemplo, embora de porte médio, era tão pequeno que podia ter ficado oculto numa fenda das montanhas da Judéia sem nunca ser encontrado, ainda que o procurassem durante mil anos. Tamanho é isso, e não é muito importante. Entretanto, numa hora de inspiração, Davi escreveu o Salmo do Pastor! Qualidade é isso, e quão preciosa é poder-se inferir do som de dez mil vozes contando aquele salmo todos os domingos do ano ao redor do mundo inteiro.

    A igreja dedica-se a coisas que importam. Qualidade importa. Não nos deixemos arrastar para fora do rumo pelo tamanho das coisas.


    1 comentários:

    Lucas Louback e João Vítor disse...

    Um excelente blog, obrigado.