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    UM DEUS PESSOAL E MAJESTOSO



    Desde o começo da história bíblica, por meio da sabedoria da inspiração divina, a narrativa é feita de modo a inculcar em nós a dupla verdade: o Deus a quem somos apresentados é pessoal e majestoso.
    Em nenhum outro lugar da Bíblia a natureza pessoal de Deus é expressa de modo tão vivido. Ele delibera consigo: "Façamos" (Gn 1:26). Ele conduz os animais até Adão para que este os nomeie (22:19). Ele passeia pelo jardim chamando por Adão (3:8). Ele faz perguntas às pessoas (3:11; 4:9; 16:8). Desce do céu para ver o que as pessoas estão fazendo (11:5; 18:20). Fica tão desgostoso com a fraqueza do ser humano que se arrepende de havê-lo feito (6:6).
    Representações de Deus como estas são necessárias para nos trazer à mente o fato de que o Deus com o qual comungamos não é um mero princípio cósmico, impessoal e indiferente, mas uma Pessoa que vive, pensa, sente, age, aprova o bem, desaprova o mal e está o tempo todo interessado em suas criaturas.
    Não vamos, porém, deduzir por essas passagens que o conhecimento e o poder de Deus sejam limitados, ou que ele está normalmente ausente, desconhecendo o que ocorre no mundo, a não ser quando vem especialmente para investigar. Esses mesmos capítulos destroem tais idéias ao nos defrontar com a grandeza de Deus, tão vivida quanto sua personalidade.
    O Deus do Gênesis é o Criador que trouxe ordem ao caos, criou vida mediante sua palavra, fez Adão do pó da terra e Eva de sua costela (caps. 1 e 2). Ele é o Senhor de tudo o que criou. Amaldiçoou a terra e sujeitou a humanidade à morte física, mudando desse modo seu mundo original perfeito e ordenado (3:17). Inundou a terra como castigo, destruindo toda a vida, menos os que estavam na arca (caps. 6 a 8). Confundiu a linguagem das pessoas e espalhou os construtores de Babel (11:7). Destruiu Sodoma e Gomorra (aparentemente) por uma erupção vulcânica (19:24). Abraão o chamou com exatidão de "Juiz de toda a terra" (18:25), e corretamente adotou o nome dado a Deus por Melquisedeque: "Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra" (14:19-22).
    Deus está presente em todos os lugares e observa tudo: o assassinato perpetrado por Caim (4:9), a corrupção da humanidade (6:5), a penúria de Hagar (16:7). Com razão Hagar o chamou El Roi— "o Deus que vê", e chamou a seu filho Ismael — "Deus ouve", pois Deus na verdade vê e ouve, e nada lhe escapa. Ele mesmo se denomina El Shaddai, "Deus Altíssimo", e todas suas ações ilustram a onipotência proclamada por seu nome. Ele prometeu a Abraão e a sua mulher um filho quando já tinham noventa anos, e repreendeu Sara por sua incrédula e injustificada risada: "Existe alguma coisa impossível para o Senhor?" (18:14). Não é apenas em momentos isolados que Deus controla os acontecimentos. Toda a história está sob sua influência. A prova disso está sua predição detalhada do extraordinário destino que ele se propôs a realizar com a descendência de Abraão (12:1-3; 13:14-17; 15:13-21 etc). Em poucas palavras, assim é a majestade de Deus, de acordo com os primeiros capítulos de Gênesis.



    Ilimitado


    Como podemos formar uma idéia correta da grandeza de Deus? A Bíblia nos ensina que devemos tomar duas atitudes: a primeira é remover de nosso conceito de Deus limites que o tornariam pequeno. A segunda é compará-lo com poderes e forças que consideramos grandes.
    Como exemplo do que está envolvido no primeiro passo, veja o salmo 139, no qual seu autor medita sobre a infinita e ilimitada natureza da presença, do conhecimento e do poder de Deus em relação ao ser humano. Estamos sempre na presença de Deus, diz o salmista. Você pode romper relações com as pessoas, mas jamais poderá fugir de seu Criador: "Tu me cercas, por trás e pela frente [...] Para onde poderei eu escapar do teu Espírito? Para onde poderei fugir da tua presença?". Se subir ao céu, se descer ao inferno (isto é, ao fundo da terra), ou se fugir para o fim do mundo, ainda assim não poderei escapar da presença de Deus — "lá estás" (v. 5-10). Nem a escuridão, que me esconde da vista humana, poderá me proteger do olhar divino (v. 11,12).
    Como não há limites para sua presença comigo, tampouco há limites para seu conhecimento a meu respeito. Assim como nunca estou SÓ, também nunca deixo de ser notado: "Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me sento e quando me levanto (todas as minhas ações e movimentos); de longe percebes os meus pensamentos (tudo o que se passa em minha mente) [...] todos os meus caminhos são bem conhecidos por ti (todos os meus hábitos, planos, idéias, desejos e a minha vida até agora). Antes mesmo que a palavra me chegue à língua (falada ou pensada), tu já a conheces inteiramente, Senhor" (v. 1-4).
    Posso ocultar dos homens meu coração, meu passado e meus planos para o futuro, mas de Deus não posso esconder nada. Posso falar de tal modo que as pessoas ao meu redor formem uma idéia bem diferente do que sou na realidade, mas nada que eu diga ou faça pode enganar a Deus. Ele vê através de toda minha reserva e pretensão. Ele me conhece como sou realmente, melhor até que eu mesmo.
    Um Deus de cuja presença e exame eu pudesse me esquivar seria uma divindade comum e pequena. Mas o Deus verdadeiro é grande e terrível justamente porque está sempre comigo e seus olhos estão sempre sobre mim. Viver torna-se uma questão impressionante quando se percebe que se passa todos os momentos da vida sob o olhar e na companhia do Criador onisciente e onipresente.
    Isso, entretanto, não é tudo. O Deus que tudo vê é também poderoso, a fonte do poder que me foi revelado pela admirável complexidade de meu corpo, criado por ele. Diante desta realidade a meditação do salmis-ta se transforma em adoração: "Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas!" (v. 14).
    Aqui, está, portanto, o primeiro passo para apreender a grandeza de Deus: compreender como sua sabedoria, sua presença e seu poder são ilimitados. Muitas outras passagens das Escrituras ensinam a mesma lição, especialmente Jó 38 a 41, capítulos nos quais o próprio Deus se vale da declaração de Eliú: "Deus está cercado de tremenda majestade" (37:22; ra), e coloca diante de Jó uma impressionante exposição de sua sabedoria e de seu poder na natureza. O Senhor então pergunta a Jó se ele pode igualar tal "majestade" (40:10) e o convence de que, se não lhe é possível fazê-lo, também não deveria atrever-se a buscar falhas em como Deus conduz seu problema, que também supera sua compreensão.
    James Innell

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