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    CONVERSÃO - N. VINCENT (1639-1697)




    A conversão implica em voltar-se das trevas. Como as trevas estavam sobre a face do abismo até que Deus dissesse: "Haja luz " (Gên. 1:2) assim verdadeiramente as trevas cobrem a alma do homem natural até que do alto ele seja iluminado. Os crentes são libertos do poder das trevas quando são trasladados para o reino do Filho. (Col. 1:13). Isto mostra que até um certo ponto eles estavam em trevas tanto quanto os outros. E se diz que estas trevas têm poder - poder para segurar, poder para cegar e poder para arruinar, de modo que há uma necessidade de ser liberto delas. Agora, há vários tipos de trevas dos quais eles se tornam livres.

    A. Os convertidos são tirados das trevas da ignorância. Eles não estão mais satisfeitos em desconhecerem o caminho da salvação, mas se tornam inquisitivos quanto ao que devem fazer para serem salvos. Eles são informados sobre a doutrina de Cristo, e são levados a entender o que significa crer e arrepender-se. Eles sabem que o pecado deve ser lamentado como o pior de todos os males, e que Deus é o Sumo Bem, e que Ele "... amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. " (João 3:16). Eles são levados a saber que Cristo deve ser recebido por fé, e que não há salvação em nenhum outro, e é vão esperar qualquer coisa dEle como Salvador a não ser que haja uma disposição para obedecê-lO como Senhor. Estas e outras verdades semelhantes não mais lhes são ocultas. Eles estão cientes agora do mal e do perigo da ignorância. Portanto, eles desejam ardentemente ser libertos da ignorância, e prosseguir em conhecer ao Senhor.



    B. Os convertidos são tirados das trevas da incredulidade. O Espírito faz uma obra de persuasão em seus corações a respeito das verdades estabelecidas, de tudo o que Deus (em revelado em Sua Palavra. Todavia, eles não devem atrever se a continuar a fazer Deus mentiroso, deixando de acreditar naquilo que Ele registrou. Eles crêem, admiram e reconhecem a sabedoria do mistério de Deus do Pai e de Cristo. (Col. 2:2). Até agora, sua incredulidade ocultou deles o evangelho eosmantevena condição de perdidos. Eles não entendiam o mistério da Palavra. Eles não consideravam os tesouros da sabedori a e da graça, os quais são agora revelados. Nem ficaram amedrontados com as ameaças dos terrores que pesam contra os ímpios, terrores esses dos quais a Palavra está cheia. No entanto agora o véu é retirado e eles concordam e se comovem com o que o evangelho lhes fala. Eles crêem que Deus está em Cristo reconciliando o mundo conSigo mesmo, não imputando-lhes suas transgressões, e que "sendo justifi­cados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. " (Rom. 5:9). Eles crêem que o pecado é mortal e que o mundo é um engano, que a felicidade verdadeira e eterna é encontrada só em Deus. Portanto eles deixam o que é inconsistente para abraçar aquilo que é substancial.



    C. Os convertidos são tirados das trevas do preconceito. O preconceito levanta um estranho tipo de neblina diante dos olhos, a qual impede que a luz da verdade brilhe na mente. O preconceito dos judeus contra Cristo foi o maior causador da cegueira deles, o principal impedimento para que abraçassem a fé. Satanás esforça-se para encher os ímpios com este preconceito, a fim de incentivá-los, porque através disso seu reino é sustentado. Às vezes os pecadores são preconceituosos contra a santidade como se ela fosse uma desgraça, ao passo que, sendo ela a glória da natureza divina, certamente é a maior honra e perfeição de que a criatura racional é capaz de experimentar. Às vezes a santidade é vista como desnecessária, entretanto as Escrituras afirmam que ninguém verá a Deus sem santidade. Às vezes o coração carnal se levanta contra a santidade pois imagina que ela não é consistente com nenhum dos seus deleites e prazeres, porém o que realmente acontece ao sermos convertidos a Deus é que não perdemos a nossa alegria, posto que ela é sublimada. O reino de Deus não é somente justiça, mas também gozo paz e alegria no Espírito Santo. (Rom. 14:17). Antes a alegria era pobre, inferior, irracional, e impura, sendo misturada com a relutância muito secreta da consciência e apreensões do coração. Agora, na conversão, a alegria é pura, angelical, satisfatória, e zelosa daqueles prazeres que serão para toda a eternidade. (Sal. 16).
    Este preconceito irracional não é somente contra os caminhos da santidade e sim também contra os que anunciam estes caminhos. Havia um preconceito contra Elias, como se ele fosse o perturbador de Israel; contra Jeremias, como se fosse infiel à nação e amigo secreto dos caldeus; contra os apóstolos, como se tivessem sido intoleráveis perturbadores que viraram o mundo de cabeça para baixo. E na verdade o tesouro, na maioria das vezes, é negligenciado, apesar de seu inestimável valor, por causa do vaso no qual é derramado. Contudo, quando alguém é convertido, a neblina do preconceito é imediatamen­te dissipada. Então a rigorosa doutrina derrotará aquilo que antes estava causando náusea e fazendo o coração rebelar-se contra ela. Então o servo de Cristo será estimado e obedecido, aquele que antes era visto como impuro e a escória do mundo. (I Cor. 4:13).



    D. Os convertidos são tirados das obras das trevas. Estas obras são rejeitadas. (Rom. 13:12). Não é permitida nenhuma presunção de pecado. Eles percebem quão infrutíferos foram seus antigos caminhos e portanto envergonham-se deles. (Rom. 6:21). Seguramente no passado entraram no pecado porque não sabiam para onde estavam indo, mas agora percebem a tendência dessas obras das trevas, as quais conduzem ao negror das trevas eternas. E então são libertos do pecado, ou seja, libertos da servidão do pecado, e se tornam servos da justiça. O pecado pode apelar duramente contra essa rejeição, porém todos os seus apelos são inócuos.
    O pecado sedutor, conseqüentemente, pleiteia da seguinte maneira: "Eu o levantei de um nível miserável para o mais alto grau. Eu enchi sua carteira e supri sua mesa. Por minha causa você conquistou um status promissor, pois de outra forma você não seria muito diferente de um mendigo. E como eu posso ser rejeitado, tendo sido de tão grande benefício e tendo trazido tantas vantagens?"
    Entretanto, o convertido tem o suficiente para responder a tal pleito. Qualquer que tenha sido seu ganho ilícito ele deve restituir. Se ele tivesse confiado em Deus e agido corretamente, ele teria lucrado muito mais. O mamom da injustiça é acompanhado de uma maldição, e durante todo o tempo que ele prosperou de maneira ilícita, esteve destituído das verdadeiras riquezas. É espantoso que por causa de tal ganho ilícito ele não tenha perdido sua alma há muito tempo. Agora, portanto, está determinantemente decidido contra o ganho ilícito, caso que posteriormente e sem aviso prévio, ele venha a descobrir que Deus, Cristo e a salvação de sua alma não estão mais ao seu alcance.
    O pecado sedutor não está sem argumentos para ser tratado com carinho: "Eu tenho dado prazer à sua carne e alegria ao seu coração. Eu tenho feito com que os dias e as noites passem sem ser sentidos. Eu tenho satisfeito seus desejos e feito seus lábios cantarem de alegria. Tenho entorpecido e adormecido a fúria chamada "consciência" quando ela começou a instigar e a torturar você. Tenho afugentado suas preocupações e feito você esquecer suas tristezas. Houve tempo quando os seus pensamentos a meu respeito eram deleitosos e eu era abraçado como algo querido. E por que deveria eu agora ser banido e morto como se fosse um inimigo? Asafliçõesda alma e quebrantamento de coração deveriam ser preferidos ao invés da doçura que eu estava acostumado a oferecer a você?"
    Mas os ouvidos do convertido são surdos para tão sedutora melo­dia. Uma palavra é suficiente para derrotá-la e responder a tudo isso: "...usufruir os prazeres transitórios do pecado " (Heb. 11:25), porém as dores do inferno (as quais certamente serão inevitáveis se não houver conversão) jamais terão um fim nem mesmo serão no mínimo abrandadas. O homem rico que tinha vivido prazerosamente e em abundância todos os dias de sua vida, quando foi lançado nas chamas implorou por uma gota de água e até isso lhe foi negado. Portanto, as obras das trevas são rejeitadas pelos convertidos. Os prazeres dessas obras são nada comparados à dor, nem o ganho comparado à perda que rapidamente se seguirá.

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