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    Como Os Puritanos Pregaram a Salvação.



    Quando se lê sermãos dos Puritanos sobre Salvação, fica evidenciada a característica domi­nante da maneira e do método de pregação destes homens, contrastan­do com as sociáveis, condescentes, casuais pregações, sem confron­tação, que marcam muito do evangelismo atual. Notamos algumas das características da maneira como são feitas as suas pregações, as quais são dignas de imitação.


    1. Eles são modelos de uma santa austeridade e veemente tenacidade que instam com seus ouvintes para que sejam convertidos. É necessário somente ler no começo do tratado de Vincent "A Dedicação" e "Carta ao leitor", para ver que ele não se envergonha de comprometer-se com o grande objetivo de assegurar a conversão de seus ouvintes. É esta santa paixão e intrepidez em advertir quanto a uma imediata e sincera obediência a seus chamados à conversão, que faz com que seus sermões sejam marcados por profundos apelos à consciência, vigorosas advertências específicas relativas ao pecado, as lutas da alma e as questões levantadas pela dúvida.


    2. Seus sermões são marcados por uma cadeia constrangente de razão e argumentação. Embora estes homens acreditassem firmemente na morte espiritual absoluta do pecador, eles não acreditavam que o homem tivesse perdido sua capacidade de sentir a pressão dos argumentos razoáveis. É extraordinária a habilidade de tirar as pessoas dos vários "refúgios da mentira" nos quais tentam se esconder do Deus vivo. Ademais, são levantadas razões bíblicas e lógicas sobre os terrores ligados ao estado de impenitência e incredulidade, e também sobre a felicidade e conveniência de se estar num estado de graça e aceitação por Deus.


    3. É evidente que estes homens não temeram ser rotulados como "exagerados" em seu zelo. Foi dito a respeito do piedoso McCheyne, que compartilhou muito desse espírito puritano, que "ele pregava como se estivesse morrendo pela conversão dos homens" .Essa paixão legítima que flui através dos sermões editados destes homens, saltando através dos séculos e das mudanças de estilo literário, etc, é uma das evidentes deficiências da atual pregação evangélica e mesmo da de muitos pregadores reformados. Deus, por Si não Se envergonha de demonstrar paixão quando Ele admoesta com as palavras: "Arrependei--vos, arrependei-vos, por que vos morreríeis ? " Estes homens não se envergonhavam de mostrar a paixão da preocupação genuína pelas almas de seus ouvintes através de seus apelos bem arrazoados e eminentemente bíblicos.
    Para o leitor que não é familiarizado com os reconhecidos autores puritanos, a primeira leitura dos tratados dos seus sermões poderia causar uma impressão errada. Deve ser lembrado que a visão puritana sobre justificação somente pela fé, através da imputação da justiça de Cristo, era tão clara quanto a de Martinho Lutero. Este aspecto é certamente destacado nas suas obras. Por exemplo, Bolton escreve: "Cristo não deixou nada para ser feito por nós, a não ser receber o que Ele adquiriu e entregou às mãos do Pai; nada além do que pedir uma absolvição, sim, das mãos dAquele que é justo, e que nunca nos decepcionará; das mãos dAquele que certamente concederá tudo o que Seu Filho tenha adquirido pela Sua obra redentora". Bolton prossegue escrevendo: "Oh, como isso deveria fazer-nos promover Cristo, admirar Cristo, valorizar Cristo! O que aproximaria mais nossos corações de Cristo do que saber que Ele levou nossos pecados e o fez de modo que nunca jamais teremos que levá-los se estivermos vinculados a Ele?" Entre­tanto, para uma compreensão mais profunda da doutrina puritana da justificação devem ser lidos trabalhos tais como o Volume 5 de Owen, o Volume 8 de Goodwin e as seções específicas nas obras de Roberl Traill.
    Ao exporem tais textos, como Rom. 4:4-5, estes homens declaram a graciosidade e a plenitude da salvação fundamentada na obra de Cristo. Mas quando examinaram textos tais como Lucas 13:24, que nos ordena a que "esforçemo-nos para entrar pela porta estreita" eles não se detiveram em expor e aplicar a pressão própria de tais textos.
    Se existe qualquer esperança de que a verdadeira doutrina da conversão seja mais uma vez proclamada no poder e na compaixão do Espírito Santo, é bem provável que os autores puritanos sejam os nossos guias mais úteis.


    Albert Martin

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