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    A TERCEIRA BENÇÃO - G. WHITEFIELD



    "Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção". 1 Cor. 1:30


    A terceira bênção é: Cristo não somente Se tornou justiça para nós, mas também "santificação". Com "santificação", não me refiro a uma mera obediência hipócrita às ordenanças externas, (embora os cristãos bem informados considerarão seu dever e privilégio constantemente atender a todas as ordenanças exteriores). Não quero dizer com "santificação" uma simples reforma exterior, nem algumas convicções provisórias, nem um pouco de tristeza; porquanto um homem não santificado pode ter tudo isso — mas, com "santifi­cação" refiro-me a uma renovação total do homem. Pela justiça de Cristo os crentes passam legalmente a ter vida; pela santificação são tornados espiritualmente vivos; pela primeira recebem o direito à glória; pela segunda são tornados dignos da glória. Portanto são santificados inteiramente em espírito, alma e corpo.
    Seus entendimentos, que antes eram entenebrecidos, agora se tornaram luz no Senhor; e suas vontades, antes contrárias à vontade de Deus, agora estão em harmonia com ela; suas emoções agora se fixam nas coisas de cima; suas memórias agora estão cheias de coisas divinas; suas consciências agora são iluminadas; seus membros, que antes eram instrumentos da impureza e da iniqüidade, agora são instrumentos da justiça e da verdadeira santidade. Resumindo: são novas criaturas; "as coisas velhas passaram; eis que se fizeram novas" nos seus corações; o pecado já não tem domínio sobre eles; estão libertos do poder do pecado, embora não da sua habitação e da sua existência; são santos tanto no coração quanto na vida, em todas as atividades; são feitos co-participantes da natureza divina e de Jesus Cristo recebem graça sobre graça. Toda graça que há em Cristo é copiada e transcrita para suas almas; são transformados à Sua semelhança; Ele está formado dentro deles; habitam nEle e Ele habita neles; são guiados pelo Espírito, e produzem os frutos do Espírito; sabem que Cristo é seu Emanuel, Deus com eles e neles; são templos vivos do Espírito Santo. Sendo eles, portanto, uma habitação santa ao Senhor, a Trindade habita e anda neles; enquanto aqui na terra estão assentados com Cristo nos lugares celestiais, e por uma fé viva estão vitalmente unidos com Ele — seu Cabeça. O Redentor, seu Criador, é o seu Marido; são carne da Sua carne, osso do Seu osso, falam e andam com Ele assim como um homem fala e anda com seu amigo. Em suma, são um com Cristo, assim como Jesus Cristo e o Pai são um.
    Assim, Cristo Se tornou santificação para os crentes. Ó quão grande privilégio é esse! Para serem transformados de feras em santos e, apesar de terem uma natureza diabólica, serem feitos co-participantes da natureza divina; serem trasladados do reino de Satanás, para o reino do Filho amado de Deus — que benção. Para serem despojados do velho homem, que é corrupto, e vestidos do novo homem, que é criado à semelhança de Deus na justiça e na verdadeira santidade — que bênção indizível! Fico atônito ao contemplá-la. É com razão que o apóstolo exorta os crentes a se regozijarem no Senhor; realmente têm motivo para regozijar-se sempre, sim, até mesmo no leito da morte; porque o reino de Deus está dentro deles; são transformados de glória em glória pelo Espírito do Senhor. Este bem pode ser um mistério humanamente falando, pois é um mistério até mesmo para o próprio homem espiritual — um mistério que não consegue sondar. Vocês não ficam freqüentemente com os olhos ofuscados, ó filhos de Deus, ao contemplarem seu próprio brilho, quando a lâmpada do Senhor raia, e seu Redentor levanta sobre suas almas a luz da Sua bendita face? Vocês não ficam atônitos quando sentem o amor de Deus derramado nos seus corações pelo Espírito Santo, e quando Deus estende o cetro dourado da Sua misericórdia, convidando-os a pedir o que querem, o que lhes será dado? Aquela paz de Deus, que guarda e governa o seu coração, não excede os últimos limites de seu entendimento? E a alegria que vocês sentem, não é indizível? Não é cheia de glória? Estou convicto que sim; e na sua comunhão secreta, quando o amor do Senhor se derrama nas suas almas, vocês estão inundados ou, para usar a frase do apóstolo: "cheios de toda a plenitude de Deus". Não estão prontos a exclamarem, juntamente com Salomão: "E será que o Senhor habitará mesmo com os homens? Como é que seremos assim Teus filhos e filhas, ó Senhor Deus onipotente!".
    Se vocês são filhos de Deus, e sabem o que é ter comunhão com o Pai e com Seu Filho; se vocês andam por fé, e não por vista, tenho certeza de que esta é freqüentemente a linguagem dos seus corações.
    Mas olhe para a frente, e veja uma perspectiva ilimitada de felicidade eterna diante de você, ó crente! O que você já recebeu não passa de primícias, como o cacho de uvas trazido da terra de Canaã; somente uma fiança e penhor de coisas infinitamente melhores do porvir: a colheita é futura; a graça que você já recebeu será posteriormente absolvida pela glória. Seu grande Josué, o Sumo Sacerdote misericordioso, dará a você uma entrada abundante na terra da promessa, aquele repouso que aguarda os filhos de Deus, pois Cristo não somente Se tornou da parte de Deus sabedoria, justiça e santificação para os crentes, e sim também a redenção.
    Mas, antes de entrarmos na explicação e na contemplação desse privilégio, é necessário aprendermos duas coisas:

    Primeira, aprendamos qual o grande erro daqueles escritores e clérigos que, apesar de falarem na santifi­cação e na santidade interior, (como realmente às vezes falam, embora de modo desconexo e superficial) geral­mente a consideram a causa da nossa justificação, em vez de considerá-la o efeito. DEle "sois vós, em Cristo Jesus, o que se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça'' e depois, santificação. Ora, a justiça de Cristo, ou aquilo que tem feito em nosso lugar, é a causa única da nossa aceitação diante de Deus, e de toda a santidade operada em nós. É nessa justiça, e não na luz interior, nem em qualquer coisa operada dentro deles, que os miseráveis pecadores devem procurar a justificação à vista de Deus. Por causa da justiça de Cristo exclusivamente, e não por causa dalguma coisa operada em nós, é que Deus nos contempla com favor. Na melhor das hipóteses, a nossa santificação não está completa nesta vida. Embora estejamos libertos do poder do pecado, não estamos libertos da sua existência dentro de nós. No entanto, não somente o domínio do pecado, como também sua existência em nós, é proibida pela lei perfeita de Deus, pois não está escrito: tu não cederás à cobiça, e sim, "não cobiçarás". Por conseguinte, enquanto o princípio da cobiça permanecer em nosso coração no mínimo grau (embora doutra forma sejamos considerados santos) não poderemos esperar a aceitação diante de Deus. Devemos primeiramente procurar uma justiça fora de nós, a saber, a justiça de nosso Senhor Jesus Cristo. É por essa razão que o apóstolo a menciona e a coloca antes da santificação nas palavras do texto. E quem pregar qualquer outra doutrina, não prega a verdade conforme ela está em Cristo Jesus.

    Segunda, aprendamos que os antinomianos e os hipócritas formais podem ser refutados, isto é, aqueles que falam de Cristo sem ter havido uma obra de santifi­cação operada dentro deles. Sejam quais forem as suas pretenções, o Senhor não é justiça deles, sendo que Cristo não está neles, e não têm nenhuma esperança bem fundamentada da glória. Embora a santificação não seja a causa da nossa aceitação por Deus, é o efeito dela; "o qual se nos tornou da parte de Deus justiça e santifi­cação". Portanto, aquele que realmente está em Cristo, é nova critaura; não se trata de voltar para uma aliança de obras, na qual perscrutamos nosso coração, e, vendo que este é transformado e renovado, daí formar uma certeza consoladora e bem fundamentada da segurança de nosso estado. Não, mas as Escrituras nos ensinam o seguinte: pelos frutos que produzimos devemos julgar se já realmente participamos do Espírito de Deus, ou não. "Sabemos (diz João) que passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos". E por mais que falemos da justiça de Cristo, e exclamemos contra os pregadores legalistas, se não somos santos no coração e na vida, se não somos santificados nem renovados em nossa mente pelo Espírito, enganamos a nós mesmos e não passamos de hipócritas formalistas, pois não devemos separar o que Deus juntou. Devemos conservar o caminho interme­diário entre os dois extremos: não insistir tanto no Cristo exterior a ponto de excluir o Cristo interior, como evidência de pertencermos a Ele, e como preparativo para a felicidade futura; por outro lado, nem depender tanto da justiça ou santidade operadas em nós, a ponto de excluir a justiça de Cristo fora de nós.

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