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    OS PRIMEIROS PECADOS DA INFÂNCIA - AGOSTINHO



    Eu me encontrava, pobre menino, no limiar dessa escola de moral. Minha educação era dada de tal modo, que temia mais cometer uma impropriedade de linguagem do que acautelar-me da inveja que eu sentia daqueles que a evitavam, se eu a cometesse. Digo e confesso diante de ti, meu Deus, essa fraqueza que me angariava aplausos daqueles, cuja aprovação era a minha norma de vida. Eu não percebia o abismo de ignomínia em que me atirava, longe de tua presença (Sl 31.23). Diante de ti, mesmo àqueles homens, ao enganar com inúmeras mentiras o pedagogo, os mestres e pais, tão grande era o meu amor pelo jogo, a minha paixão pelos espetáculos frívolos e a mania de imitar os atores. Eu furtava da despensa e da mesa de meus pais, ora impelido pela gula, ora para ter com que pagar aos companheiros que vendiam seus jogos, mas que se divertiam tanto quanto eu. Muitas vezes eu cometia fraudes no jogo para conseguir vitórias, dominado pelo tolo desejo de superioridade sobre os outros. No entanto, não podia suportar que os outros fizessem o mesmo, e reprovava asperamente se os descobrisse, enquanto eu, ao ser descoberto e repreendido, me enfurecia, ao invés de reconhecer-me culpado.

    Seria essa a inocência das crianças? Não, Senhor! De modo algum, meu Deus! O que fazem agora enganando mestres e tutores, furtando nozes, bolas e pássaros, o mesmo hão de fazer, na idade madura, com os governadores e reis, com as riquezas, com as propriedades, com os escravos. É o que acontece com o castigo da palmatória, ao qual se seguem suplícios mais graves. Portanto, ó nosso Rei, no pequeno tamanho das crianças louvaste o símbolo da humildade, quando disseste: delas é o Reino dos Céus (Mt 19.14).

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