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    MEDITAÇÃO - RICHARD BAXTER



    Agora, descreverei e revelarei a você a responsabilidade que, sinceramente, o instigo a pôr em prática; e imagino que esteja pronto para perguntar-me: "Qual é esse trabalho tão exaltado?". É a ação solene e bem estabelecida, por meio da meditação, de todos os poderes da alma sobre esse mais perfeito objeto, o descanso.


    I


    O título geral que dou a essa responsabilidade é meditação; não da forma como é precisamente distinguida da cogitação, consideração e contemplação; mas como é compreendida no sentido mais comum e amplo de cogitação das coisas espirituais, e assim também devem ser compreendidas a consideração e a contemplação.
    Essa meditação é a responsabilidade ordenada por Deus, não apenas em sua lei escrita, mas também na natureza, e jamais encontrei um homem que negasse isso; mas essa é uma responsabilidade que, infelizmente devo admitir, nem os piedosos, no que diz respeito aos meus conhecidos, praticam de forma constante e conscienciosa. Todos confessam com sua boca que essa é uma responsabilidade ordenada por Deus, mas que a negam ao, constantemente, negligenciá-la; e não conheço por meio de qual segurança costumeira acontece que homens, extremamente zelosos com relação às outras responsabilidades, negligenciem esta, como se não soubessem que é uma responsabilidade. Aqueles que se sentem imediatamente perturbados em sua mente quando perdem um sermão, um jejum, uma oração coletiva ou particular, jamais se sentiram perturbados por omitir, às vezes a vida toda, a meditação de suas responsabilidades; apesar de esta ser aquela responsabilidade por meio da qual todas as outras podem ser melhoradas, e por meio da qual a alma digere as verdades e de onde retira a força para nutri-la. E por que tanta pregação se perde em nosso meio, e professores podem passar de sermão em sermão, sem jamais se fadigarem de ouvir ou de ler, e ainda assim têm a mente inanida e faminta? Não conheço causa mais verdadeira e maior que o ignorar e o negligenciar inconsciente da meditação. Se eles ouvissem uma hora e meditassem sete, encontrariam outro tipo de benefício nos sermões, distinto do bem usual que os cristãos ali encontram.



    II


    Mas como a meditação é a palavra geral, e não tenho em mente todo tipo de meditação, apresento aqui o que tenho em mente, mostrando-lhe, portanto, a diferença dessa meditação que o estimulo a fazer, e ela é bem diferente de todos os outros tipos; e a diferença reside no ato e em seu objeto. Considero o ato como o conjunto de ações solenes de todos os poderes da alma, pois direcionamos você agora à ação, e não às relações ou às disposições; embora estas estejam pressupostas nessa ação. Qualifica-se para essa responsabilidade, por meio da graça sobrenatural e renovadora do Espírito, todo aquele que deve realizar essa responsabilidade sobrenatural. Essa responsabilidade é para ser executada pelos vivos, não pelos mortos; é o trabalho de todas as pessoas mais espirituais e sublimes e, portanto, não será bem realizada pelo coração meramente carnal e terreno. Também, essas pessoas, necessariamente, devem ter alguma relação com o céu antes que possam conviver ali com familiaridade. Imagino que esses indivíduos sejam filhos de Deus, quando os persuado a amá-lo; e que são da família de Deus, quando os persuado a buscar a presença do Senhor e a habitar com ele. Imagino que eles tenham sua posição nesse descanso garantida, quando os persuado a regozijar-se na meditação desse descanso. Portanto, pressupondo-se que todas essas coisas não são as responsabilidades exigidas aqui, nem as que tenho em mente, gostaria que você fizesse com que suas disposições santificadas entrassem em ação e revissem de forma proveitosa esses sublimes relacionamentos. Hábitos e poderes só servem para nos capacitar a agir. Que benefício tem qualquer poder se não for transformado em ação? Portanto, agora não o exorto a ser um cristão capaz, mas a ser um cristão ativo, de acordo com o grau de habilidade que você tiver. Assim como o armazenamento de dinheiro, de alimentos, ou de roupas, os quais você deixa ao seu lado sem jamais os usar, não serve para nada, exceto agradar seus caprichos, ou fazer com que os outros o admirem mais, também seus dons, poderes e hábitos, ainda em sua alma, sem jamais se converter em ação, trazemlhe pouco, ou nenhum, benefício, exceto o de satisfazer seus caprichos e de fazer com que você seja considerado um homem capaz, se os que estão por perto forem capazes de discerni-los.
    Chamo isto de meditação: a ação dos poderes da alma; e quero dizer com isso que a alma é racional para diferenciar isso das cogitações da alma, como a alma sensível tem esse tipo de meditação por meio do senso comum, da fantasia e da apreciação. A alma, como o corpo, tem seu trabalho e seu descanso; sua ocupação e seu ócio; sua intenção e sua remissão; e os alunos diligentes são comumente sensíveis em relação ao trabalho e à exaustão do espírito e da mente, como o são em relação aos membros do corpo. É essa ação da alma que persuado você a realizar.

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