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    CIDADANIA NO CÉU - RICHARD BAXTER



    O cristão que tem sua cidadania no céu é o mais proveitoso para todos a sua volta: ele pode lhes dar doces conselhos e ir para a casa celestial de Deus. Quando o homem está em um país estrangeiro, distante de casa, como ali se alegra com a companhia de alguém que é da mesma nação que ele. Como é prazeroso para eles conversar sobre seu país, sobre os conhecidos e os assuntos de sua nação. Com um cristão celestial, você pode ter esse tipo de conversa, pois ele já esteve lá pelo Espírito e pode contar-lhe sobre a glória e o descanso do alto.

    Confesso que conversar com homens cultos, com compreensão clara e inteligência perspicaz, sobre assuntos difíceis e controversos de nossa religião, e também fazer críticas à linguagem e à ciência, é algo agradável e proveitoso; mas nada disso se compara à conversa de um crente sobre o céu e as coisas divinas. Como suas expressões são restauradoras e aprazíveis! Como sua doutrina cai como a chuva, e sua fala goteja como o suave orvalho; e, quando expressa o nome do Senhor e atribui grandeza ao seu Deus, é como a chuva fina no tenro capim; como a chuva fina na grama! Seu doce discurso sobre o céu, cheio de emoção, não é parecido com o frasco do precioso perfume, o qual, após ser aberto para ser derramado sobre a cabeça de Cristo, inunda a casa com seu perfume? Todos os que estiverem próximos podem ser revigorados por ele.
    Felizes os que têm um ministério consagrado; felizes as crianças e os servos que tem um pai, ou mestre, consagrado; feliz o homem que tem amigos consagrados, pois eles têm o coração voltado para conhecer essa felicidade! Esse é o companheiro que tomará conta de seus caminhos; que o fortalecerá quando você estiver fraco; que o animará quando você estiver abatido, e que o confortará com os mesmos confortos com os quais foi muitas vezes confortado. Esse é aquele que acenderá a chama de sua vida espiritual e sempre atrairá sua alma para Deus. Se você caminhar com esse homem consagrado, ele o direcionará e o estimulará em sua jornada para o céu; se você tiver de comprar ou vender para ele aqui no mundo, ele o aconselhará a abandonar tudo pelo tesouro inestimável. Se você proceder mal, ele o perdoará, lembrando-o que Cristo não só lhe perdoou ofensas maiores, mas também lhe dará essa porção inestimável. Se você ficar bravo, ele é manso, e falamos aqui dessa mansidão de alguém consagrado; ou se ele romper relações com você, logo ele busca a reconciliação quando se lembrar de que no céu vocês serão amigos por toda a eternidade. Esse é o cristão da espécie correta; esse é o servo que é parecido com seu Senhor; esses são os inocentes que salvam a ilha, e todos que habitam a volta dele sentem-se bem. De minha parte, prefiro ter a companhia de cristãos consagrados, cuja mente está voltada para os assuntos do céu, que andar junto aos argumentadores eruditos ou aos comandantes reais.
    Não existe homem que honre de forma mais excelsa a Deus que aquele que tem sua cidadania no céu; e, sem isso, nós o desonramos profundamente. Não é uma desgraça para o pai quando os filhos se alimentam de migalhas, vestem farrapos e andam na companhia de tratantes e de pedintes? E o mesmo não acontece com nosso Pai quando dissemos que somos seus filhos, mas nos alimentamos de terra, e a vestimenta de nossa alma é semelhante à do mundo desguarnecido, e quando nosso coração, que sempre deveria estar na presença de nosso Pai e ser elevado até sua presença, está mais familiarizado com a companhia desse barro e desse pó? Certamente, viver em meio aos ajudantes e servos não convém à noiva de Cristo, quando esta for diariamente admitida na sala do trono; ele estenderá seu cetro, se eles entrarem. Com certeza, vivemos sob o padrão do evangelho, e não para nos tornar filhos de um rei. Não vivemos de acordo com a altura de nossa esperança, nem de acordo com a plenitude que há nas promessas, nem em conformidade com a provisão da casa de nosso Pai, ou com a grande preparação feita para seus santos. Mas, quando o cristão vive no alto, e sua alma se regozija nas coisas invisíveis, como Deus se apresenta para ser honrado por esse homem! Pois ele honra aqueles que o honram.

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