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    O EVANGELHO - SPURGEON


    O EVNGELHO NÃO É SEGUNDO OS HOMENS, QUANTO A MANEIRA QUE O
    RECEBEMOS.
    "Mas faço-vos saber irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens." - Gálatas 1:11
    Em certo sentido nós o recebemos dos homens quanto ao recebimento externo, pois fomos chamados pela graça de Deus através da influência paternal, ou através do professor na escola dominical, ou pelo ministério da Palavra, ou pela leitura de um bom livro, ou por outra agência didática. Mas no caso de Paulo nenhuma dessas coisas aconteceu. Ele foi especificamente chamado pelo próprio Senhor Jesus Cristo falando com ele dos céus, e revelando-Se a Si mesmo na Sua própria luz. Era necessário que Paulo não fosse endividado para com Pedro, ou Tiago, ou João, do mesmo modo como muitos de nós somos devedores à instrumentalidade; dessa forma ele pôde dizer em verdade, "eu não o recebi de homens, tampouco fui ensinado por eles, mas pela revelação de Jesus Cristo". Também podemos dizer isso em outro sentido. Nós tam­bém recebemos o evangelho de uma forma que fica além do poder do homem para transmiti-lo a nós: os homens o trouxeram aos nossos ouvidos, porém foi o Senhor que o aplicou aos nossos corações, a fim de regenerá-los, convertê-los e santificá-los. Houve um ato preciso de Deus o Espírito Santo, através do qual a instrumenta­lidade tornou-se eficaz, e a verdade se tornou efetiva nas nossas almas.
    Portanto afirmo que nenhum de nós recebeu o evangelho pelo direito de nascimento ou herança. Podemos até ser filhos de pais santos, não obstante não somos os filhos de Deus. Para nós, fica claro que "o que nasceu da carne é carne," e nada mais. Somente "o que nasce do Espírito é espírito". No entanto ouvimos de pessoas que dizem que seus filhos não precisam de conversão. Falam deles como sendo livres da corrupção e nascidos filhos de Deus, tendo a graça dentro deles, a qual somente precisa ser desenvolvida. Lamento dizer que o meu pai não me achava tal criança. Ele descobriu bem cedo na minha vida que eu nasci em pecado, fui concebido em iniqüidade e que a tolice habitava em meu coração. Amigos e professores cedo perceberam em mim uma depravação natural; e certamente eu a descobri em mim mesmo: esta triste descoberta não precisou nem de um minuto de pesquisa, pois o efeito do mal se escancarava no perfil do meu caráter. Esta tradição quanto a sermos nascidos com uma natureza santa está ganhando apoio na igreja professante, embora seja contrário às
    Escrituras, e mesmo às confissões de fé que, alegadamente, ainda são praticadas. Certos pregadores não ousam formulá-la como doutrina; mas eles têm uma espécie de convicção confusa de que pode haver frutos da carne que são muito superiores, e servirão suficientemente sem o novo nascimento do Espírito.
    Essa crença tácita conduz a membros de igreja por direito de nascimento; e isso é fatal a qualquer comunidade cristã, onde quer que exista essa regra. Sem conversão, em certas comu­nidades, os jovens ingressam na igreja como coisa natural, e a igreja se torna uma parte do mundo, com o nome de cristã afixada nela. Que nunca seja essa a condição de nossas igrejas!
    Aquela religião que é um mero suplemento da família, é de pouca valia. A verdadeira se­mente são os "nascidos não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus". Não recebemos nossa fé pela tradição dos nossos pais; e no entanto para alguns de nós, se a verdadeira fé pudesse ser assim recebida, certamente a teríamos recebido, pois se não somos hebreus de hebreus, não obstante de acordo com nossa árvore genealógica somos "puritanos dos puritanos", descendendo através de muitas gerações de crentes. A isso damos pouco valor diante de Deus, ainda que não nos envergonhemos do mesmo diante dos homens. Não temos nenhum pai na vida espiritual, exceto o Senhor, e não temos recebido essa vida, ou o evangelho, através de parentesco carnal - e sim, somente da parte do Senhor.
    Irmãos, não temos recebido o evangelho, nem agora o recebemos, por causa do ensino de qualquer homem, ou grupo de homens. Vocês receberam alguma coisa porque Calvino a ensinou? Se esse é o caso, então precisam exami­nar os seus fundamentos. Vocês crêem numa doutrina porque João Wesley a pregou? Nesse caso, vocês têm razão para avaliar sua situação. O modo de Deus pelo qual devemos receber a verdade, é recebê-la pelo Espírito Santo. E de valor para mim saber o que tal e tal ministro acreditava. O conselho de um santo, de um piedoso, e de visão clara, com dons divinos, não é para ser desprezado; merece ter peso conosco. E provável que ele esteja tão certo como nós; e só devemos discordar - com bastante prudência -de um homem que foi ensinado pela graça de Deus. Contudo, é algo bem diferente dizer: "Eu creio nisso pela autoridade desse bom homem".
    Como novos cristãos, pode não ser danoso receber alguma verdade de pastores e pais, e assim por diante; mas se pretendermos nos tornar homens em Cristo Jesus, e mestres de outros, precisaremos abandonar o hábito de criança de depender dos outros, e começar a pesquisar por nós mesmos. Precisamos agora abandonar a casca do ovo, e livrar-nos dos pedaços de casca o mais rápido possível. É o nosso dever examinar as Escrituras para ver se as coisas são assim mesmo; e mais, é coisa sábia clamarmos por graça, a fim de nos apropriar de cada verdade e deixarmos que elas penetrem profundamente em nosso ser. Está na hora de sermos capazes de dizer: "Esta verdade é tão minha pessoalmente, como se nunca a tivesse recebido dos lábios de algum homem. Eu a recebi porque foi escrita no meu coração diretamente pelo Senhor. Ela veio para mim "não segundo os homens".
    Em certos círculos há uma opinião corrente que não se deve receber nada a não ser que o tenha aprendido dos homens; a palavra "homens" não é mencionada, encontra-se escondida, mas está ali sob a palavra igreja. A igreja é colocada como a grande autoridade. Se ela o sancionou você então não o questiona; se ela o decreta, é seu dever obedecer. Não obstante, isso é receber o evangelho "segundo os homens" arbitrariamente. E o processo envolvido nisso é algo estranho. Deve-se traçar um dogma que procede através da continuidade de uma igreja visível, e isso o conduzirá através do esgoto da velha Roma. Embora a verdade se manifeste clara e pura, e seja a água da vida para você, mesmo assim não deve ser aceita; porém você tem que ir à corrente enlameada que foi trilhada através do canal corrompido de uma igreja infiel, a qual durante séculos tem apostatado.
    Meus queridos irmãos, acreditar numa doutrina porque a chamada "igreja" a ensina, seja ela qual for, não é nenhum aval para tal crença; a maioria de nós questionaria se real­mente é verdadeiro o ensino difundido por aquelas grandes corporações mundiais, que tem usurpado o nome de "igrejas de Cristo". Certas seitas reivindicam para si a sucessão apostólica, e se alguns a possuem, os mais prováveis seriam os batistas, visto que praticam as ordenanças como lhes foram entregues; todavia, nem tomamos o cuidado de traçar nossa linhagem através da longa sucessão de mártires e homens odiados pelos eclesiásticos.
    Se pudéssemos fazer isso sem interrupção, o resultado não teria nenhum valor diante de nossos olhos, pois o farrapo da "sucessão apostólica" não merece lugar em nosso armazém. Aqueles que sustentam essa ficção podem monopolizá-la se quiserem. Nós não recebemos a revelação de Deus porque foi recebida por uma sucessão de pais, monges, abades, e bispos. Alegramo-nos quando percebemos que alguns deles abraçaram a verdade de Deus, e a ensinaram; porém esse fato não a torna em verdade para nós. Todos nós diríamos, "eu vos certifico, irmãos, que o evangelho por mim pregado não é segundo os homens". Nunca pensamos em citar a comu­nidade de homens chamados "a igreja" como a autoridade final em relação à consciência.

    "...não aprendemos assim a Cristo".

    Além disso, eu espero poder falar por todos vocês aqui quando digo que temos recebido a verdade pessoalmente por revelação às nossas almas pelo Espírito do Senhor. No entanto numa congregação tão grande, receio que possa haver um Judas, perguntando: "Senhor, sou eu?" Pode muito bem ser que alguém sinta uma santa suspeita de si mesmo. Contudo podemos dizer que temos recebido no íntimo a verdade que pregamos pelo ensino do Espírito Santo - a não ser que sejamos tristemente enganados. Consultemos as nossas agendas e constatemos as datas já tão distantes. Verificaremos, então, quando a luz penetrou em nós, revelando nosso estado perdido e quando começou a base de nosso ensinamento.
    Oh, amigos, acaso não se lembram quando receberam com poder as doutrinas mais difíceis que compõem as jóias preciosíssimas do evangelho? Que eu era culpado, eu sei, eu cria, pois fui ensinado assim; entretanto naquele momento, eu sabia no fundo do meu ser que era verdade. Oh, como eu sabia! Culpado diante de Deus, "já condenado", e debaixo da maldição de uma lei quebrada, eu me encontrava atônito. Eu avia escutado a lei de Deus pregada, e enquanto uvia, estremecia; mas agora eu sentia uma íntima convicção de culpa pessoal de modo mais penetrante. Eu me vi um pecador; e que visão é essa! O medo tomou conta de mim, como tam­bém a vergonha e o temor. Então percebi como é verdadeira a doutrina da malignidade do pecado; e que castigo isso deve acarretar. Essa doutrina eu jamais recebi de homens.
    A preciosa doutrina da paz mediante o precioso sangue de Jesus, também conhecemos através do ensino íntimo e pessoal. Costumá­vamos ouvir e cantar sobre o grande sacrifício, e do amor dAquele que levou nossos pecados no Seu próprio corpo, no madeiro; mas, agora, ficamos ao pé da cruz. Por nós mesmos contemplamos Seu amado rosto, e vimos em Seus olhos tanta misericórdia, vimos as mãos e os pés cravados na cruz por nossa causa. Oh irmãos, quando vimos o Senhor Jesus, como nosso Fiador, sofrendo por nossas ofensas, então recebemos a verdade da redenção e perdão de uma maneira que não era "segundo os homens"!
    Sim, esses homens bondosos que foram para o céu, realmente nos pregaram o evangelho plena e fervorosamente, e labutaram para que Cristo fosse conhecido por nós; porém para revelar o Filho de Deus em nós estava além do poder deles. Eles poderiam mais facilmente criar um mundo do que tornar estas verdades vitais para nós. Dizemos, portanto, cada um de nós, das profundezas da nossa alma: "Eu vos certifico, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens", quanto ao modo pelo qual viemos a conhecê-lo e senti-lo em nossas almas.
    Desde nossos primeiros dias, temos experimentado uma abertura gradual do evangelho para nosso entendimento, mas em todo esse processo nosso real progresso tem sido da parte de Deus, e não dos homens. Irmãos, vocês lêem comentários - isto é, se seus próprios comentários valem a pena ser ouvidos; vocês lêem livros de homens de Deus - e por que não, se vocês mesmos às vezes escrevem algo que merece ser lido? No entanto, seu aprendizado espiritual, se for real e verdadeiro, é concedido pelo Senhor. Porventura aprendemos alguma coisa no sentido enfático do aprendizado, a não ser que sejamos ensinados pelo Senhor? Não seria essencial que Deus o Espírito aplique a você a verdade que lhe foi falada, mesmo que tenha sido explicada pelo instrutor mais habilidoso? Vocês continuam a ser estudantes desde que saíram do Seminário; porém o seu tutor tem sido o Espírito Santo. Por nenhum outro método nossos espíritos podem aprender a verdade de Deus a não ser pelo ensinamento dado pelo Espírito de Deus. Podemos receber casca e o molde exterior da teologia, mas a real Palavra do Senhor em si, vem pelo Espírito Santo, que nos conduz a toda a verdade.
    Quão agradavelmente o Espírito tem nos ensinado em meditação! Você não teria se surpreendido e superado prazerosamente à medida que as Sagradas Escrituras se abrem diante dos seus olhos, como se as portas da cidade de ouro tivessem sido abertas para você entrar? Tenho certeza que não adquiriu sua sabedoria através dos homens, porque tudo era novo para você, à medida que se assentava sozinho sem nenhum livro diante de si, a não ser a Bíblia, e então, receptivo, raramente pensando em analisar assuntos, porém sorvendo-os conforme o Senhor os revelava para você. Uns poucos minutos silenciosos, abrindo a alma diante do Senhor, têm nos trazido mais tesouros da verdade do que horas de diligentes pesquisas.
    A verdade é como cavernas de estalactites e grutas das quais temos ouvido falar, na qual você precisa penetrar e ver por si mesmo, para ver suas maravilhas. Se você se aventurar ali sem lanterna ou guia, correrá grandes riscos; mas com luz intensa e flamejante, e um guia instruído, sua entrada será cheia de interesse. Veja, seu guia o levou através de passagens estreitas, onde era necessário rastejar ou prosseguir de joelhos dobrados! Afinal ele lhe trouxe à entrada de um magnífico salão; e quando as tochas são sus­pensas, o teto alto brilha e reflete a luz como de incontáveis jóias, de diversos matizes! A luz disso, você contempla a arquitetura da natureza, e daqui em diante as catedrais parecerão brinquedos para você. Enquanto está dentro desse palácio com pilares e jóias, você percebe o quanto deve a esse guia e à tocha flamejante dele. Assim o Espírito Santo nos guia a toda a ver­dade, e irradia Sua luz sobre o eterno e o misterioso. Isso Ele faz em certos casos de maneira muito pessoal. Então Ele nos enche de total esquecimento de tudo o que nos rodeia, e nos faz comungar somente com a verdade. Eu posso bem compreender como os filósofos, enquanto trabalham num problema absorvente, parecem ser arrebatados, e ter se esquecido do mundo. Acaso nunca sentiu uma santa absorção diante da verdade, enquanto o Espírito o encheu com uma gloriosa visão dela? Foi assim com muitos servos de Deus enquanto Ele os ensinava. Eles não estão dispostos a abandonar, diante do clamor popular, aquilo que dessa maneira têm recebido.
    Com quanta freqüência o Senhor ensinou Sua própria verdade aos Seus servos na escola da tribulação! Falamos bem da meditação, é como a prata; porém a tribulação é como ouro refinado. A tribulação não somente opera a paciência, porém a paciência traz experiência, e na experi­ência há um profundo e íntimo conhecimento das coisas de Deus que não pode nos vir por nenhum outro meio. Será que você já conheceu uma dor tão intensa que não suportaria nem mais uma virada do parafuso, e achou-se então desmaiando ao cair sobre seu travesseiro, que mesmo assim, não poderia sentir-se mais feliz a não ser que fosse arrebatado ao terceiro céu? Aí alguns de nós têm verificado que podemos todas as coisas por meio dAquele que nos fortalece.
    Enquanto você estava passivamente deitado em paz, é possível que tenha visto uma passagem das Escrituras surgir como uma estrela surge entre frestas de nuvens de tempestade, a qual brilhou com tal intensidade que evidentemente apenas o Senhor Deus poderia ter-lhe dado aquilo. A depressão espiritual e a tortura física, foram esquecidas, enquanto o esplendor da promessa enchia plenamente de luz a sua alma. Há um lugar lá atrás no deserto que você nunca deve esquecer. Ali cresce uma sarça. Ela não é muito promissora, a tal sarça; mas é sagrada para você; porque foi ali que o Senhor Se revelou à você, e a sarça ardia porém não se consumia. Nunca desaprenderá a lição da sarça em chamas.
    Porventura conhecemos alguma verdade antes que o Espírito a acenda dentro de nós, e grave-a em nossas almas com uma pena de ferro, e com a ponta de diamante? Existem meios de aprender pelos quais somos muito gratos; não obstante, a maneira mais segura de aprender a verdade divina é tê-la "gravada" de maneira que ela tome posse completamente da alma. Aí então, não somente cremos como também damos a nossa vida por ela; ela vive em nós, e ao mesmo tempo, vivemos dela. Tal verdade lateja em cada pulsar, pois acelera o coração. Não o questio­namos, não podemos, pois que vive em nós e molda o nosso ser. O diabo insinua perguntas, mas nós não somos responsáveis pelo que ele tem prazer em fazer, e pouco nos importamos, pois ele sussurra num ouvido surdo. Uma vez que a alma tem recebido a verdade, e a verdade tem permeado todo o ser, não nos tornamos acessíveis a essas dúvidas, as quais antes nos espetavam como flechas envenenadas.
    A seguir acrescentarei, a respeito das muitas verdades de Deus e de todo o sistema do evangelho, que temos aprendido a verdade no campo do sacrifício e do serviço com nosso Senhor; portanto, para nós não é "segundo os homens". Se você não acredita na depravação humana, então aceite o pastorado nesta perversa cidade de Londres (São Paulo), e se você for fiel à sua comissão, nunca mais terá dúvidas quanto a essa verdade! Se não crê na necessidade do Espírito Santo para regenerar, assuma então o encargo de uma congregação culta e polida, que ouvirá toda a sua eloqüência, e permanecerá tão mundana e frívola como era antes. Se não acreditar no poder do sangue expiador, então nunca assista a morte dos crentes, pois descobrirá que eles não confiam em outra coisa. A morte de Cristo é o único recurso do crente.
    Tudo pode na terra falhar, Ele, porém, é minha força e sustentação." Se não crê na eleição pela graça, então vá morar onde poderá observar as multidões (as quais chamarão sua atenção) e perceberá que pessoas, as mais improváveis, são chamadas desse meio, de maneiras surpreendentes, e paula­tinamente crerá nessa doutrina. Vem um que diz, "eu não tenho nem mãe nem pai ou irmãos, nem amigos, que entram num lugar de culto". "Como foi que você veio a crer?" "Eu ouvi uma palavra na rua, quase por acidente, que me fez tremer diante de Deus". Aí está a eleição da graça. Agora vem outra, mente obscurecida, de alma pertur­bada, e ela faz parte de uma família da qual todos são membros de igreja, todos felizes e se regozijando no Senhor; e no entanto esta pobre criatura não consegue crer em Cristo pela fé. Para sua maior alegria, você expõe Cristo para ela, em toda a Sua plenitude de graça, e ela se torna a mais entendida de toda a família. Ninguém conhecia as trevas como ela conhecia, e por isso eles não poderiam se regozijar na luz assim como ela.
    Para achar um santo que muito ama, você precisa encontrar alguém a quem muito foi perdoado. A mulher pecadora é a única que vai lavar os pés de Cristo. No publicano existe matéria bruta que raramente é vista num fariseu. Um fariseu pode ter o polimento de um cristão habitual; mas de algum modo, há algo num pecador perdoado que está ausente no fariseu. Há uma eleição da graça, e não se pode deixar de per­ceber na vida diária como certos crentes entram num relacionamento íntimo, enquanto que out­ros ficam à margem disso tudo. O Senhor é soberano nos Seus dons, e faz como Lhe apraz; e somos chamados para nos curvar diante do Seu cetro dentro da Igreja como no portal. Quanto mais eu vivo, mais certeza tenho que a salvação é pela graça, e que essa graça é dada pelo Senhor de acordo com Sua vontade e propósito.
    Alguns de nós têm recebido o evangelho, por causa da maravilhosa unção que o acompanha às nossas almas. Espero que nenhum de nós jamais caia no engano de seguir a orientação de impressões recebidas por meio de textos que surgiram em nossas mentes. Vocês têm mentes e não devem pô-las de lado para que sejam guiados por impressões acidentais. Mas apesar disso tudo, não há um homem aqui que tenha conduzido a sua vida de maneira útil e diligente que não precisa confessar que diversos atos de sua vida, sobre a qual toda sua história se vincula, estão ligados à influências que foram produzidas na sua mente, conforme ele crê, através de uma agência sobrenatural. Uma passagem das Escrituras, que lemos uma centena de vezes antes, nos cativou, e se tornou mestra de todo nosso pensamento. Somos guiados por ela, como os homens confiam na estrela polar, e descobrimos que a nossa viagem foi facilitada desse modo.
    Certos textos são, para nossa memória, tão doces como biscoitos feitos com mel, pois sabemos o que fizeram para nós no passado, e sua lembrança é refrescante. Temos sido despertados de um desmaio, encorajados para um esforço total e estimulados para um sacrifício, por um versículo que se tornou não apenas uma palavra num livro, e sim a própria voz de Deus à nossa alma - a viva voz do Senhor, tão cheia de majestade. Já notou como, às vezes, uma percepção diferente de um texto torna-o muito mais apropriado para você? Parecia um pormenor insignificante, porém era essencial para tal efeito, tanto quanto uma cavidade na chave se faz necessária para que ela se ajuste à fechadura.
    Quanta coisa pode estar vinculada com aquilo que - para os não espirituais - parece ser nada mais que niquice em relação a uma ligeira dis­tinção verbal ou uma nuança irrelevante! Um pensamento de importância fundamental pode estar imbutido no singular ou plural de uma única palavra. Se for uma palavra grega, não se pode calcular a sua importância; mas, mesmo uma palavra em inglês, na sua tradução pode ter semelhante força, à medida que a palavra traduzida seja fiel ao original. Muitos, que só podem ler a nossa Bíblia inglesa, apreciam suas palavras porque o Senhor as abençoou às suas almas. Um amigo muito simples, acreditava que osso Senhor devia ser galês, "porque" dizia ele, 'Ele sempre fala comigo em galês". Para mim, freqüentemente tem me parecido que o Bem-amado da minha alma, nasceu no meu vilarejo, freqüentou a mesma escola, e passou por todas s minhas experiências pessoais; pois Ele me onhece melhor do que eu me conheço a mim mesmo.
    Apesar de saber que Ele era de Belém da judéia, ainda assim, Ele parece ser de Londres (ou de São Paulo). Mais que isso, eu vejo nEle nais do que a masculinidade poderia torná-lo; eu discirno nEle uma natureza mais do que de homem, pois Ele penetra no âmago da minha alma, Ele me lê como uma página aberta, Ele e conforta como alguém criado comigo, Ele enetra nas profundezas dos meus pesares e participa das minhas maiores alegrias. Eu tenho segredos em meu coração que só Ele sabe. Oxalá os Seus segredos estivessem comigo, até a minha capacidade máxima, como os meus stão com Ele! E por causa desse maravilhoso oder que o Senhor Jesus tem sobre nós, através da Sua santa Palavra, que recebemos dEle essa Palavra, e a recebemos não "segundo os homens".
    O que é unção, meus irmãos? Receio que ninguém possa me dar uma definição. Quem a pode definir? Todavia sabemos quando ela está presente, e certamente sentimos quando ela não está presente. Quando a unção perfuma a Palavra, ela é seu próprio intéprete, é seu próprio apologista, é sua própria confirmação e prova, para a mente regenerada. Então a Palavra de Deus trata conosco como nenhuma palavra de homem jamais fez ou poderá fazer. Portanto não a recebemos de homens. Recebendo constan­temente a Palavra divina como a recebemos, ela vem para nós como uma energia refrescante e poderosa. Ela nos vem especialmente com um poder santificador, que é a melhor prova que provém do Deus triúno. As palavras dos filósofos podem ensinar-nos o que é a santidade, porém a Palavra de Deus nos torna santos. Ouvimos os nossos irmãos nos exortando à aspirar níveis mais altos da graça, mas a Palavra de Deus é que nos eleva a eles.
    A Palavra não é meramente um instrumento para o bem, é algo que o Espírito Santo usa para produzir uma energia ativa dentro da alma para purificar o coração do pecado, a fim de que se possa dizer: "Vós estais limpos pela palavra que eu vos tenho falado". Uma vez assim, limpos, se sabe que a Palavra é a verdade. Você tem certeza disso, e não precisa mais ler os livros mais poderosos de "evidências". Você tem em si mesmo o testemunho, a evidência de coisas que não se vêem, o selo da eterna verdade.

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