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    A EFICIÊNCIA DA PROVIDÊNCIA DIVINA NA MENTE E CORAÇÃO DE TODOS



    JOÃO CALVINO

    No que tange a estas injunções secretas, o que Salomão declara do coração do rei [Pv 21.1], de inclinar-se para cá ou para lá conforme apraz a Deus, na verdade deve estender-se a todo o gênero humano e equivale a tanto como se dissesse que tudo quanto concebemos na mente é dirigido para seu fim pela inspiração secreta de Deus. E de fato, a não ser que operasse na mente dos homens interiormente, não se poderia com razão haver dito que retira a prudência dos lábios dos verazes e dos anciãos [Is 29.14; Jr 7.26]; que remove da terra o coração dos príncipes, para que vagueiem pelos ermos [Jó 12.24; Sl 107.40]. E a isto é pertinente o que se lê muitas vezes: os homens são atemorizados conforme o terror que lhes domina o coração [Lv 26.36]. Assim, do acampamento de Saul, sem que ninguém o percebesse, se retirou Davi, porquanto a todos acometera um sono de Deus [1Sm 26.12]. Nada, porém, mais claro se pode desejar que isto: tantas vezes declara que ele cega o entendimento dos homens e os fere de vertigem [Dt 28.21], embriaga-os de um espírito de torpor, lhes infunde loucura [Rm 1.28], endurece o coração [Ex 14.17, passim]. Muitos, porém, lançam estes fatos à conta da permissão, como se, ao rejeitar aos réprobos, Deus os deixasse entregues a Satanás para que os cegasse. Todavia, uma vez que o Espírito Santo declara expressamente que cegueira e insânia são infligidas pelo justo juízo de Deus [Rm 1.20-24], essa solução se torna muitíssimo frívola.
    Está escrito que ele endureceu o coração de faraó [Ex 9.12]; de igual modo, que o fez pesado [Ex 10.1] e o enrijeceu [Ex 10.20, 27; 11.10; 14.8]. Alguns contornam essas formas de expressão através de sutileza insípida, porquanto nessas referências a vontade de Deus é posta como a causa do endurecimento, enquanto...

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