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    O SOFRIMENTO DE CRISTO - MARTINHO LUTERO


    Algumas pessoas refletem sobre o sofrimento de Cristo, revoltando-se contra os judeus, cantando a canção do pobre Judas e criticando este pelo que fez. Elas não se restringem a isso da mesma forma como estão acostumadas a acusar outras pessoas e a condenar e manchar a imagem de seus adversários.
    Alguns descreveram diversos frutos e vantagens provenientes da contemplação do sofrimento de Cristo. A respeito disso circula por aí uma expressão enganosa de Santo Alberto (Alberto Magno, dominicano alemão, 1193/1200-1280): É melhor refletir uma vez superficialmente sobre o sofrimento de Cristo do que jejuar um ano inteiro, orar o Saltério diariamente, etc. Há pessoas que vão cegamente atrás disso. Perdem, assim, o verdadeiro fruto do sofrimento de Cristo, porque buscam seu próprio interesse. Por isso ficam carregando consigo figurinhas e livrinhos, cartas impressas e cruzes. Algumas pessoas chegam a acreditar que, com isso, estão se protegendo contra enchentes, assaltos, incêndios e todo tipo de perigos. Crêem assim que o sofrimento de Cristo, contra seu próprio caráter e natureza, deveria oferecer-lhes uma vida sem sofrimento.
    Essas pessoas têm compaixão por Cristo. Choram por ele como se fosse um homem inocente. As mulheres que seguiram Cristo desde Jerusalém fizeram isso. Elas foram advertidas por ele para que chorassem por si próprias e por seus filhos (cf. Lucas 23.27s). São dessa categoria aquelas pessoas que, em meio à reflexão sobre a paixão, passam a fantasiar.
    Acrescentam muita coisa a respeito da despedida de Cristo em Betânia e das dores da virgem Maria, o que também não lhes adianta muito. Por isso a pregação da paixão prolonga-se por tantas horas. Sabe Deus se é mais para dormir ou ficar acordado. Fazem parte desse bando também aqueles que aprenderam quão grande vantagem traria a sagrada missa. Em sua ingenuidade, julgam que é suficiente ouvir a missa. Somos levados a essa atitude por afirmações de vários mestres. Eles querem que a missa seja agradável a Deus "por causa daquilo que foi feito, não por causa daquele que o faz", por si própria, também sem nosso mérito e dignidade, como se isso bastasse. Mas, na verdade, a missa não foi instituída por causa de sua própria dignidade. Ela foi instituída para tornar dignos a nós, e principalmente para refletir sobre o sofrimento de Cristo. Quando isso não acontece, a missa transforma-se numa obra material e infrutífera, por melhor que ela seja. De que adianta para você Deus ser Deus, se não for um Deus para você? De que adianta comer e beber ser algo saudável e benéfico, se não for saudável para você? Há o receio de que com muitas missas não se conseguirá nada melhor, caso não se busque nelas seu verdadeiro fruto.O sofrimento de Cristo é refletido autenticamente por aquelas pessoas que o encaram de tal forma que se assustam sinceramente por causa dele. Então sua consciência logo desanima. O susto deve ser porque você vê a ira rigorosa e a dureza implacável de Deus para com o pecado e os pecadores...




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