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    O SENSO COMUM DE REID – A Filosofia do Óbvio


    OS FILÓSOFOS E SEU PENSAMENTO


    Se há alguma coisa pela qual os filósofos não são famosos é o sendo comum. Bertand Russell observou certa vez que filosofia é uma questão de começar com alguma coisa tão simples que pareça não merecer ser formulada e terminar com uma tão paradoxal que ninguém acreditará nela. Um cínico diria ser pouco provável que a formulação do óbvio fosse motivo para um pensador constar dos livros de história. Alguns filósofos, no entanto, opuseram-se frontalmente a essa tradição e sustentaram que os instintos que consideramos úteis na vida comum são também os melhores para encararmos as grandes questões da existência. Eles merecem seu lugar na história porque suas razões para sustentar o óbvio são tudo menos banais.

    O defensor original do raciocínio de sendo comum foi o filósofo escocês Thomas Reid, nascido em Kincardine em 1710. A ilustre família de Reid incluía seu irmão Alexander, que foi médico do rei Carlos I, e seu tio-avô James Gregory, o inventor do telescópio refletor. Thomas veio de uma longa linhagem de ministros da Igreja Presbiteriana e ingressou na profissão da família após estudar filosofia no Marischal College, em Aberdeen. Como pregador, não eletrizava sua congregação, mas conquistou seu respeito e admiração graças ao seu equilíbrio e decência. O historiador da filosofia escocesa James McCosh escreveu sobre Reid em 1875: “Ele é sob todos os aspectos um escocês da melhor estirpe: astuto, cauteloso, aparentemente calmo, e apesar disso um poço profundo de sentimento por dentro e cheio de entusiasmo; não é espirituoso, mas possui um traço sereno de humor”. Esse “poço de sentimento” ficava em evidência cada vez que Reid ministrava o Sacramento em sua igreja, e não raro ele vertia lágrimas quando se referia ao amor de Cristo. Além de seus deveres religiosos, Reid sentiu-se obrigado a defender os instintos filosóficos do homem comum, ou “o vulgo” como ele dizia. Ficava horrorizado ao ler a filosofia cética de seu compatriota David Hume. Segundo Hume, jamais podíamos ter certeza de que um evento causava outro, de que as leis da natureza continuarão da mesma maneira, ou mesmo de que exista algo como um mundo externo independente de nossas impressões sensoriais. Em 1752, Reid assumiu uma cátedra de filosofia no King’s College, em Aberdeen, e iniciou o projeto de restaurar as crenças no senso comum que Hume demolira.

    Em Aberdeen, e mais tarde na Universidade de Glasgow, o talento nada óbvio de Reid para ensinar deu origem à escola filosófica do senso comum. Um de seus alunos escreveu:


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