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    GÓRGIAS - Platão - Parte 02 (do Capítulo I a VII)


    CAPÍTULO I

    Na guerra e no combate, Sócrates, segundo o provérbio, é que é preciso proceder dessa maneira.

    Sócrates — Será que chegamos atrasados e, como se diz, depois da festa?

    Cálicles — Sim, e uma festa citadina! Agora mesmo, Górgias nos expôs um mundo de coisas belas.

    Sócrates — A culpa, Cálicles, é do nosso amigo Querefonte, que nos reteve na ágora.

    Querefonte — Não faz mal, Sócrates; vou reparar o dano. Como amigo meu, que é, Górgias falará para nós, ou agora, ou noutra ocasião, conforme preferires.

    Cálicles — Que estás dizendo, Querefonte! Sócrates deseja ouvir Górgias?

    Querefonte — Para isso é que estamos aqui.

    Cálicles — Então, quando quiserdes, ide a minha casa, pois Górgias hospedou-se comigo e vos falará.

    Sócrates
    — É muita gentileza de tua parte, Cálicles. Mas, dispor-se-á ele, de fato, a conversar conosco? Desejo perguntar-lhe em que consiste a força de sua arte e o que é que ele professa e ensina. Quanto ao resto da exposição, poderá ficar, como disseste, para outra oportunidade.

    Cálicles — Não há como falares tu mesmo, Sócrates. Isso, aliás, faz parte de sua exposição. Neste momento, convidou as pessoas ali presentes a lhe dirigirem as perguntas que quisessem, comprometendo-se a responder a todas.

    Sócrates — Ótimo, Querefonte . Então, fala -lhe.

    Querefonte — Que devo perguntar-lhe?

    Sócrates — O que ele é.

    Querefonte — Que queres dizer com isso?

    Sócrates — Se ele, por exemplo, fabricasse sapatos, responderia que trabalhava com couro. Ou não compreendes o que eu falo?




    CAPÍTULO II

    Querefonte — Compreendo e vou perguntar-lhe. Dize -me, Górgias: é verdade o que afirmou o nosso amigo Cálicles, que te comprometes a responder a seja o que for que te perguntarem?

    Górgias — É verdade, Querefonte; foi isso mesmo que declarei há pouco, e posso assegurar-te que há muitos anos ninguém me apresentou uma questão nova.

    Querefonte — Tanto mais fácil, Górgias, para responderes.

    Górgias — Depende apenas de ti, Querefonte, fazer a experiência.

    Polo — Sim, por Zeus. Mas, se estiveres de acordo, Querefonte, faze a experiência comigo. Acho que Górgias deve estar cansado de tanto falar.

    Cálicles — Como assim, Polo? Pensas que podes responder melhor do que Górgias?

    Polo — E o que vai nisso? Basta que seja suficiente para ti.

    Cálicles — Nada me vai nisso. Então, se assim preferes, responde.

    Polo — Pergunta.

    Cálicles — Vou perguntar. Se Górgias fosse profissional da arte que seu irmão Heródico exerce, por que nome certo o designaríamos? O mesmo que damos àquele, não é verdade?

    Polo — Perfeitamente

    Cálicles — Se disséssemos, portanto que ele era médico, ter-nos -íamos expressado com correção.

    Polo — Sim.

    Cálicles — E caso ele fosse perito na arte de Aristofonte, filho de Aglaofonte, de que modo lhe chamaríamos com acerto? (Para continuar lendo, clique AQUI)


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