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    Criatividade e Originalidade


    HISTÓRIA DA ARTE


    A Criatividade

    O que significa criar? Se, com o intuito de simplificar o problema, nos concentramos nas artes visuais, podemos dizer que a obra de arte deve ser um objetivo tangível a que certas mãos humanas deram forma. Esta definição impede, pelo menos, que se considerem obras de arte as flores, as conchas, um pôr-de-sol, etc., mas é pouco satisfatória, pois a atividade criadora do homem não se limita às obras de arte. Todavia, pode servir-nos de ponto de partida. Consideremos agora a surpreendente Cabeça de Touro (abaixo), de Picasso, formada apenas pelo selim e pelo guidão de uma bicicleta velha. Até que ponto a nossa definição é aplicável neste caso? É claro que são peças fabricadas pelo homem, mas seria absurdo dizer que Picasso devia partilhar o mérito da criação com o fabricante da bicicleta, visto que o selim e o guidão não são propriamente trabalho artístico.

    Conquanto sintamos um certo choque ao reconhecer, pela primeira vez, os ingredientes deste trocadilho visual, compreendemos também que foi um lance de gênio ter criado aquela associação única, à qual não é fácil negar a qualidade de obra de arte. Se a montagem do selim e do guidão é de uma simplicidade ridícula, o que está longe de ser simples é aquele rasgo imaginativo pelo qual Picasso reconheceu uma cabeça de touro na inverossímil combinação desses objetos: sentimos que só ele se lembraria disso. É evidente, portanto, que não se deve confundir a realização de uma obra de arte com a perícia manual ou artesanal, apesar de algumas criações poderem exigir grande soma de disciplina técnica, desnecessária para outras. A mais esmerada produção de artesanato não merecerá a designação de obra de arte se lhe faltar o tal rasgo imaginativo.

    Mas, se é assim, não deveríamos concluir que a criação real da Cabeça de Touro se efetuou na mente do artista? Não, também não é assim. Suponhamos que, em vez de ligar realmente as duas peças e nos mostrar, Picasso nos dissesse simplesmente: “Vi hoje um selim e um guidão de bicicleta que me lembraram a cabeça de um touro”. Então, ninguém pensaria em obras de arte, tal observação sequer despertaria curiosidade no decorrer da conversa. Além disso, o próprio Picasso não sentiria o contentamento de ter criado qualquer coisa a partir, apenas, da sua imaginação. Uma vez concebido o seu trocadilho visual, apenas dando-lhe corpo poderia ter a certeza de que ele era artisticamente válido.

    Portanto, as mãos do artista, por modesta que seja a tarefa que venham a realizar, desempenham um papel essencial no processo criador. Esta Cabeça de Touro é, sem dúvida, um caso idealmente simples, implicando um único lance imaginativo e a manipulação elementar correspondente – pois logo que o selim foi preso ao guidão como deveria ser, a obra ficou pronta. Este salto da imaginação surge, por vezes, como um rasgo de inspiração, mas só muito raramente uma idéia nova nasce de corpo inteiro, como Atena da cabeça de Zeus. Há em geral um longo período de gestação, de busca árdua para encontrar a chave do problema. No momento crítico, a imaginação relaciona o que parecia não haver qualquer relação e dá-lhe forma nova.


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    Este artigo está no tópico – Arte Universal

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