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    AS GALINHAS DA BACON - A Previsão do Futuro


    Este é o 10º artigo desta série. Os três últimos são:

    07 - A Lança de Lucrécio
    08 - A Navalha de Occam
    09 - O Príncipe de Maquiavel

    Os cachorros esperam ser levados para passear em horários regulares e resistem a alterações de seu percurso habitual. Os seres s humanos não são diferentes e executam seus afazeres diários na expectativa de que o que foi verdadeiro ontem continuará a ser verdadeiro amanhã. O Sol continuará a se levantar de manhã e os objetos cairão no chão em vez de subir até as nuvens. Pensamos que esses eventos são governados pelas leis na natureza e podem ser previstos com segurança, mas por vezes nossas expectativas gerais são contrariadas. Sempre que usamos um número limitado de exemplos tomados do passado para provar uma regra que se aplica a todos os exemplos que poderíamos encontrar no futuro, estamos usando um método chamado indução. Empregamos a indução quando nossos pensamentos se movem do particular para o geral, ou do que experimentamos para o que não experimentamos. No sentido mais estrito, nada pode ser verdadeiramente provado por indução. Por mais vezes que tenhamos observado algo acontecer em determinada circunstância, não podemos ter absoluta certeza de que o mesmo acontecerá sempre que tal circunstância se repetir. Como Bertrand Russell observou: “O homem que deu comida para a galinha todos os dias da vida dela um belo dia torce-lhe o pescoço, mostrando que noções mais refinadas no tocante à uniformidade da natureza teriam sido úteis à galinha”. Não há dúvida de que o fato de alguma coisa já ter acontecido muitas vezes leva homens e galinhas a esperar que ela volte a acontecer. Segundo Russell, nossos instintos nos levam a acreditar que o Sol nascerá de novo amanhã, mas quem garante que não estamos na mesma posição que a malfadada ave? As leis na natureza parecem estar operando tão vigorosamente como sempre e até agora não deram nenhum sinal de hesitação, mas afirmar que a natureza será uniforme no futuro porque sempre o foi no passado é incorrer em petição de princípio. A natureza só será uniforme no futuro, é claro, se o for. Dado o grau em que nossa vida cotidiana depende de suposições indutivas, pareceria estranho chamá-las irracionais, mas para muitos filósofos é precisamente isso que são.

    O primeiro filósofo moderno a fazer uma análise relevante da indução foi Sir Francis Bacon, nascido em Londres em 1561. (Para continuar, clique AQUI)

    Este artigo está no tópico – Textos Filosóficos

    O próximo artigo desta série é O DEMÔNIO DE DESCARTES

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