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    A Contenda Original


    RETÓRICA - UMA INTRODUÇÃO
    Retórica, Dialética e Filosofia: uma antiga rivalidade


    Uma disputa clamorosa está na origem de três disciplinas humanísticas fundamentais: a retórica, a dialética e a filosofia. Ainda hoje é impossível pensar em qualquer uma delas sem ligá-las a um dos três protagonistas da famosa querela: Górgias em prol da retórica, Sócrates em prol da dialética e Platão em prol da filosofia. De fato, os anos entre 427 e 387 a.C. foram decisivos para todas as três disciplinas. 427, ano em que nasceu Platão, também foi o ano da chegada de Górgias a Atenas, com cinqüenta anos, e da sua primeira criação da retórica ateniense. 387, quando Platão tinha quarenta anos e o idoso Górgias, noventa (Sócrates morrera fazia doze anos, embora fosse mais novo que Górgias), foi o ano em que Platão opôs violentamente a filosofia à retórica no diálogo que tem por título o nome do adversário combatido, Górgias.

    Não é fácil, à primeira vista, fixar linhas claras de demarcação entre retórica, dialética e filosofia, mesmo porque, mal as três disciplinas fizeram seu aparecimento explícito no pensamento ocidental – precisamente entre 427 e 387 a.C. -, logo se preocuparam mais em combater uma à outra do que em definir sua identidade. É mais fácil constatar como todas as três atuam no mesmo terreno: propor temas de caráter geral, sustentá-los através de uma tese, discutir para demonstrar sua validade. Também é fácil constatar que, em dado momento daquele quarentênio, dialética e filosofia aliaram-se contra a retórica, considerada inimiga comum, ainda que esta aliança agressiva estivesse destinada a não durar muito, ou, pelo menos, a entrar em crise com a chegada de Aristóteles.

    No entanto, há ao menos de início uma diferenciação que separa a retórica da filosofia. É a mesma diferença que separa o esporte “agonístico” (de competição) do esporte recreativo: à retórica é essencial o critério de ter êxito, de ser eficaz, sobretudo de não fracassar; já à filosofia são essenciais critérios de per se privados de “agonismo”, como a dicotomia verdadeiro-falso, ou bom-mau. Todavia, a retórica não tardou a contagiar a filosofia com seu caráter agonístico, e esta herda a sua agressividade tanto contra a própria retórica, quanto nas polêmicas internas entre as escolas filosóficas. De todo modo, retórica e filosofia têm em comum o fato de serem aventuras eminentemente individuais, infensas a qualquer colaboração de grupo. Já a dialética surge como uma atividade de colaboração; nem sempre é agonística, mas quando o é trata-se de um agonismo de grupo, como o que se dá entre os personagens de um diálogo platônico; é um agonismo que pressupõe de saída um protagonista vencedor e um grupo de comparsas que, com divergências aparentes ou tuteladas, têm a única função de apoiá-lo. (para continuar a leitura, clique AQUI)


    E a briga continua no próximo artigo: O REPÚDIO DA RETÓRICA E AS DIFICULDADES DA FILOSOFIA. Não perca.

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