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    A CAVERNA DE PLATÃO - O uso da Analogia e da Alegoria


    Artigos anteriores desta série:
    Em junho de 1998, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos iniciou uma ação judicial contra a Microsoft Corporation, alegando que sua decisão de incluir um navegador da Internet no Windows 98, o novo sistema operacional para PCs de então, infringia leis antitruste. No Wall Street Journal de 10 de novembro de 1997, o diretor executivo da Microsoft, Bill Gates, usou uma analogia muito disseminada para explicar por que sua companhia não deveria ser forçada a eliminar aquela característica. “Duvido que o New York Times permitisse a uma banca de jornais rasgar a seção de negócios do jornal só por querer vender mais Wall Street Journals. Ou que a Ford Motor Company deixasse seus concessionários trocarem um motor Ford por um Toyota em seus automóveis”.
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    Resta saber se a comparação do Sr. Gates foi justa. Na opinião do Departamento de Justiça, não foi. As medidas que ele imaginou não se aplicavam a jornais ou automóveis porque nenhuma companhia tem um monopólio virtual nessas indústrias. Rasgar páginas do Wall Street Journal prejudicaria a capacidade do jornal de competir com seus rivais. Todo o sentido do processo antitruste movido contra a companhia de Gates, por outro lado, era que a inclusão gratuita de um navegador no pacote do software impedia outros fabricantes de navegadores de competir com a Micrososft. A analogia não resiste a um exame mais atento dos fatos, mesmo que à primeira vista soe procedente. Às vezes é fácil deixar-se seduzir por uma comparação elegante que aproxima uma coisa de outra erroneamente. O fato de algo soar adequado não o torna verdadeiro, é claro. Por essa razão, a tradição filosófica ocidental – para não mencionar os sistema jurídico – confere preponderância a argumentos lógicos sobre analogias, relegando estas últimas a um papel sobretudo ilustrativo. A idéia é que se algo pode ser adequadamente demonstrado pelo uso da lógica e dos fatos disponíveis, as analogias se tornam desnecessárias.
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    Quando explicações literais não convencem, os filósofos recorrem a analogias, alegorias e metáforas.. (Para continuar lendo clique AQUI ou visite a seção de ARTIGOS SEQUENCIADOS do Tópico TEXTOS FILOSÓFICOS).
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    Não deixe de ler AS METAS DE ARISTÓTELES que será postado em breve

    1 comentários:

    Helena Chagas disse...

    No Livro VII de A República, Platão relata o diálogo de Sócrates e Glauco sobre a condição humana em torno da oposição instrução vs. ignorância.
    Sócrates descreve o percurso que o homem deve fazer para, a partir do mundo sensível, formado pelas imagens e aparências - cópias do mundo das Idéias, atingir esse segundo, o mundo inteligível, formado pelas Idéias eternas. A ascensão é obtida por intermédio da razão: pela busca de conhecimento, da Justiça, da Verdade e do Belo se atinge o Bem, fonte de toda luz.
    Sócrates expõe esses pensamentos através do mito alegórico da caverna (1) .
    Num primeiro momento relata a situação na qual o homem se encontra no mundo.

    Agora imagina a maneira como segue o estado da nossas natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

    Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que o transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

    E se a parede do fundo da prisão provocasse eco, sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles? (Platão, 2000, 225-6)


    Sócrates identifica a vida do homem sem acesso à educação, e portanto ignorante, com a vida do prisioneiro da caverna que acredita e se satisfaz com as sombras, as ilusões e aparências. Os dois vivem no escuro, conformados com o mínimo de luz-conhecimento que recebem.